A 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), chegou ao fim após dez dias de intensos trabalhos no Santuário Nacional de Aparecida. O evento, que reuniu o maior episcopado do mundo, foi marcado por decisões significativas para a vida da Igreja no Brasil.
Na coletiva de imprensa final, a presidência da CNBB – composta pelo Cardeal Jaime Spengler (presidente), Dom João Justino de Medeiros (1º vice-presidente), Dom Paulo Jackson (2º vice-presidente) e Dom Ricardo Hoepers (secretário-geral) – apresentou os principais resultados. Entre eles, destacam-se a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE), a atualização de textos litúrgicos e o lançamento do edital da Campanha da Fraternidade 2026.
O clima foi de unidade e esperança, com os bispos reafirmando o compromisso de ser uma “tenda do encontro” – imagem bíblica que remete à presença de Deus no meio do povo (Êxodo 33:7-11).
Novas diretrizes: sinodalidade e missão
O ponto alto da assembleia foi a aprovação das novas DGAE, que receberam 656 emendas ao texto original. O documento final busca atualizar a ação evangelizadora da Igreja no Brasil, com forte ênfase na sinodalidade – caminhar juntos como povo de Deus.
“As diretrizes nos convidam a sair das estruturas e ir ao encontro das pessoas, especialmente dos mais pobres e excluídos”, explicou Dom Jaime Spengler. A proposta é que cada diocese, paróquia e comunidade possa adaptar as orientações à sua realidade, promovendo uma evangelização encarnada e transformadora.
“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15, ARA)
A sinodalidade, tema central do pontificado do Papa Leão XIV, foi incorporada como eixo transversal. Os bispos destacaram que a Igreja no Brasil quer ser cada vez mais uma comunidade de discípulos missionários que ouvem o Espírito Santo e dialogam com a sociedade.
Apoio ao Papa Leão XIV e à Campanha da Fraternidade 2026
A assembleia também foi ocasião para manifestar apoio ao recém-eleito Papa Leão XIV (Robert Francis Prevost), que assumiu o pontificado em maio de 2025. Os bispos enviaram uma mensagem de comunhão e afeto, reafirmando a adesão da Igreja no Brasil ao seu magistério.
Outro destaque foi o lançamento do edital da Campanha da Fraternidade 2026, cujo tema será “Fraternidade e Ecologia Integral”, inspirado na encíclica Laudato Si’. A campanha, que ocorre anualmente durante a Quaresma, convida as comunidades a refletirem sobre o cuidado com a casa comum e a justiça socioambiental.
Dom Paulo Jackson ressaltou: “A ecologia integral não é apenas uma questão ambiental, mas um apelo evangélico à conversão de nossos estilos de vida”. A campanha contará com materiais litúrgicos e subsídios para grupos de reflexão.
Textos litúrgicos e a vida das comunidades
Os bispos também aprovaram a revisão de diversos textos litúrgicos, incluindo orações eucarísticas e bênçãos para situações específicas. O objetivo é atualizar a linguagem e garantir maior participação dos fiéis nas celebrações.
“A liturgia é a fonte e o ápice da vida cristã. Queremos que as celebrações sejam verdadeiros encontros com o Deus vivo”, afirmou Dom Ricardo Hoepers. As mudanças entrarão em vigor após aprovação da Santa Sé.
Um chamado à ação
A assembleia terminou com um forte apelo à missão. Os bispos convidaram cada cristão a ser protagonista na construção de uma Igreja mais acolhedora, misericordiosa e profética. Em tempos de desafios sociais e políticos, a CNBB reafirmou seu compromisso com a defesa da vida, da paz e da justiça.
“Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33, NVI-PT)
Para refletir: Como você pode contribuir para que sua comunidade seja uma ‘tenda do encontro’? Que passos concretos você pode dar para viver a sinodalidade no seu dia a dia?
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