A notícia chegou como um soco no estômago: dezenove pessoas, incluindo duas crianças, perderam a vida em uma operação militar na província de Negros Ocidental, nas Filipinas. O ataque do 79º Batalhão de Infantaria atingiu não apenas supostos membros do New People's Army (NPA), mas também civis inocentes. Como cristãos, somos chamados a parar e refletir sobre o que acontece quando a violência se torna indiscriminada e a vida humana perde seu valor sagrado.
A guerra, em qualquer forma, é sempre uma derrota para a humanidade. Cada vítima civil é um grito que sobe ao céu, lembrando-nos que a paz não é apenas ausência de conflito, mas respeito pela dignidade de cada pessoa. Nestas horas, nosso pensamento vai para as famílias atingidas, para as crianças que nunca mais brincarão, para as comunidades que choram seus mortos.
O Evangelho nos convida a ser pacificadores, mas também a denunciar as injustiças. Não podemos nos calar diante de massacres que pisoteiam o direito internacional e a própria lei de Deus, que diz: «Não matarás» (Êxodo 20,13).
O contexto: uma guerra esquecida
As Filipinas são há décadas palco de um conflito de baixa intensidade entre o exército regular e o New People's Army, o braço armado do Partido Comunista das Filipinas. Uma guerra que muitas vezes não vira notícia, mas que continua ceifando vítimas entre os mais pobres e vulneráveis. Nesse cenário, ativistas sociais, agentes pastorais e defensores dos direitos humanos se tornam alvos fáceis, acusados de simpatizar com os rebeldes.
O massacre de Toboso não é um caso isolado. Nos últimos anos, inúmeras execuções extrajudiciais ensanguentaram o país, muitas vezes sem que os culpados sejam levados à justiça. A Associação de Parlamentares pelos Direitos Humanos denunciou a violação do direito internacional, mas a comunidade internacional parece distraída.
Como cristãos, não podemos ignorar o sofrimento de nossos irmãos e irmãs nas Filipinas. A Igreja local, por meio de suas dioceses e organizações missionárias, está na linha de frente denunciando as violências e apoiando as vítimas. O Papa Francisco, antes de sua morte, expressou repetidamente preocupação com a situação no país, e o novo Papa Leão XIV reafirmou o compromisso da Igreja com a paz e a justiça.
A voz da Bíblia: justiça e misericórdia
A Escritura nos oferece uma luz para ler esses eventos. No livro do profeta Amós, Deus denuncia aqueles que «pisam o pobre e exterminam os humildes da terra» (Amós 8,4). A justiça divina está ao lado dos oprimidos, e quem semeia violência colherá condenação.
Jesus, no sermão da montanha, proclama bem-aventurados «os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mateus 5,9). Esta bem-aventurança é um chamado a não nos resignarmos à lógica da guerra, mas a construir pontes de diálogo e reconciliação.
Paulo, na carta aos Romanos, nos exorta: «Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem» (Romanos 12,21). Uma palavra que nos impulsiona a reagir não com ódio, mas com amor ativo, apoiando quem trabalha pela paz e pela justiça.
O que podemos fazer? Um convite à ação
Diante dessas notícias, podemos nos sentir impotentes. Mas a fé nos chama a não ficarmos de braços cruzados. Aqui estão alguns passos concretos:
- Orar pelas vítimas, suas famílias e pela conversão dos corações violentos. A oração é uma força que muda o mundo.
- Informar-se com fontes confiáveis, para não cair na desinformação e compreender as raízes do conflito.
- Apoiar as organizações cristãs que atuam nas Filipinas, como a Cáritas ou as missões locais, com doações ou voluntariado.
- Denunciar as injustiças, falando sobre elas em nossas comunidades e redes sociais, para que não caiam no esquecimento.
Que o Senhor nos dê coragem para sermos instrumentos de sua paz, mesmo quando o caminho parece difícil. A paz é possível e começa em cada um de nós.
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