Em tempos onde as diferenças parecem se acentuar, a cidade de Valência deu um passo significativo na construção de pontes. Recentemente foi realizado um encontro histórico que marca o início da criação de uma Mesa Inter-Religiosa, um espaço projetado para promover o diálogo, a coordenação e a cooperação entre as diferentes confissões religiosas presentes na comunidade. Esse esforço não busca diluir as identidades particulares, mas reconhecer que, em meio à nossa diversidade, compartilhamos valores fundamentais que podem enriquecer a vida social.
Como cristãos, lembramos das palavras do apóstolo Paulo em sua carta aos Efésios: "Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio" (Efésios 2:14, NVI). Embora este versículo se refira especificamente à reconciliação entre judeus e gentios em Cristo, ele nos inspira a buscar unidade e entendimento em todas as áreas da vida comunitária. A iniciativa valenciana reflete esse espírito de construção de pontes onde antes havia muros.
O encontro inicial foi presidido por Julio Aguado, diretor geral de Participação e Ação Comunitária da Prefeitura de Valência, que expressou o compromisso municipal com este projeto. O mais notável foi o clima de respeito mútuo e a vontade compartilhada de trabalhar juntos pelo bem comum, reconhecendo que cada tradição religiosa tem algo valioso para contribuir com o tecido social da cidade.
Vozes Diversas, Propósito Comum
A reunião congregou representantes de múltiplas tradições espirituais, cada uma com sua história e contribuição particular para a vida valenciana. A Igreja Católica esteve presente através da Arquidiocese de Valência, enquanto a comunidade evangélica foi representada por Francisco Javier Piquer, presidente do Conselho Evangélico da Comunidade Valenciana. Também participaram delegados da comunidade islâmica, da comunidade judaica, da fé bahá'í, da Federação Hindu da Espanha, das Testemunhas de Jeová e da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Essa diversidade não é acidental nem meramente simbólica. Reflete a realidade plural da sociedade contemporânea e reconhece que a fé, em suas múltiplas expressões, continua sendo um fator relevante na vida de muitas pessoas. Como cristãos, podemos lembrar que o próprio Jesus dialogou com pessoas de diferentes origens religiosas e culturais, desde a mulher samaritana (João 4:1-42) até o centurião romano (Mateus 8:5-13), mostrando sempre respeito e reconhecendo a fé onde a encontrava.
A criação desta mesa não implica um relativismo que equipare todas as crenças, mas um reconhecimento prático de que em uma sociedade democrática e plural, o diálogo respeitoso é preferível ao isolamento ou ao confronto. O livro de Provérbios nos lembra: "O caminho do tolo parece-lhe justo, mas o sábio ouve os conselhos" (Provérbios 12:15, NVI). Ouvir os outros, mesmo quando não compartilhamos todas as suas convicções, pode ser um ato de sabedoria e humildade.
Um Processo Guiado pela Experiência
Para garantir que este esforço tenha bases sólidas e resultados concretos, o processo contará com a assessoria de Ricardo García García, um especialista em diálogo inter-religioso e gestão da diversidade religiosa. Sua tarefa será definir um roteiro claro para a configuração e funcionamento deste novo espaço de encontro, assegurando que seja inclusivo, representativo e eficaz em seus objetivos.
Esta abordagem cuidadosa e planejada reflete a importância dada ao projeto. Não se trata de mais um gesto simbólico, mas de uma iniciativa pensada para durar e produzir frutos tangíveis na convivência cidadã. Como cristãos, valorizamos a sabedoria no planejamento: "Os planos com conselhos se firmam, e com orientação sábia se faz a guerra" (Provérbios 20:18, NVI). A estrutura ponderada deste diálogo inter-religioso aumenta suas chances de impacto genuíno.
Em nosso contexto atual, onde o Papa León XIV (Robert Francis Prevost) continua o compromisso da Igreja com o diálogo e a unidade após o falecimento do Papa Francisco em abril de 2025, tais iniciativas locais assumem um significado especial. Elas demonstram como os valores cristãos de amor, respeito e paz podem ser vividos de maneira prática dentro de comunidades diversas.
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