Com o rosto sereno e um passo decidido, Leão XIV desce da escada do avião em Argel, enquanto uma chuva leve recebe sua chegada. Este momento, aparentemente simples, marca o início de sua viagem apostólica na África, um caminho que o Pontífice enfrenta com a tranquilidade de quem sabe que carrega uma mensagem maior que qualquer polêmica.
Poucas horas antes da partida, o presidente americano Donald Trump havia dirigido palavras muito duras ao primeiro Papa americano da história. Diante dos jornalistas que lhe pedem um comentário durante o voo, Leão XIV responde em vários idiomas, demonstrando que não quer fugir ao diálogo, mas também não quer cair na armadilha do confronto.
O Evangelho como única resposta
"Minha mensagem, a mensagem da Igreja, é o Evangelho de Cristo que desejo anunciar com clareza", afirma o Pontífice. Suas palavras ecoam o convite de São Paulo aos Romanos:
"Não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor" (2 Timóteo 1:8)
Esta firmeza em testemunhar a fé não nasce de um espírito de confronto, mas da consciência de que a mensagem evangélica transcende toda divisão política. "Não sou um político e não pretendo entrar em debate com ele", esclarece Leão XIV, sem nunca nomear diretamente o presidente americano.
A perspectiva da Igreja sobre o mundo
O Pontífice explica que a Igreja olha para a política internacional com olhos diferentes: "Não observamos as relações entre os Estados com a mesma perspectiva de quem vê apenas interesses nacionais. Nossa visão é mais ampla, abraça toda a família humana".
Esta diferença de olhar lembra as palavras de Jesus no Evangelho de João:
"Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância" (João 10:10)
A vida em abundância de que Cristo fala não conhece fronteiras nacionais, não distingue entre povos ou culturas. Este é o coração do anúncio que Leão XIV leva à África e a cada lugar que visita.
Contra a guerra, pelo diálogo
Desde o dia de sua eleição em maio de 2025, o Pontífice tem mostrado uma atenção particular para com os povos que sofrem por causa de conflitos e injustiças. "Continuo a falar com força contra a guerra e a promover o diálogo e o multilateralismo entre as nações", reafirma durante o encontro com os jornalistas.
Suas palavras encontram fundamento na mensagem das Bem-aventuranças:
"Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus" (Mateus 5:9)
Esta bem-aventurança não é um simples desejo, mas um programa de vida para cada cristão e, de modo particular, para quem tem responsabilidades de guia na Igreja e no mundo.
A oração como barreira contra a violência
Poucas horas antes dos ataques verbais recebidos, Leão XIV havia presidido na Basílica de São Pedro um Rosário pela paz. Naquela ocasião, havia convidado os fiéis a erguer "uma barreira a esse delírio de onipotência que ao nosso redor se torna cada vez mais imprevisível e agressivo".
A oração, para o Pontífice, não é fuga da realidade, mas instrumento poderoso para transformá-la. Como nos lembra o apóstolo Paulo:
"Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus" (Filipenses 4:6)
Num mundo onde muitas vezes prevalece a lógica da força, a oração se torna ato revolucionário de confiança em Deus e de compromisso com a justiça.
O sofrimento dos inocentes
"Muitas pessoas estão sofrendo. Muitos inocentes continuam sendo assassinados", afirma com voz comovida Leão XIV. Esta compaixão pelas vítimas dos conflitos não é retórica, mas nasce da contemplação de Cristo crucificado, o Justo que oferece sua vida pela salvação de todos.
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