Leão XIV na África: a fé dos presos de Bata, sinal do Reino

Fuente: EncuentraIglesias Editorial

Durante a audiência geral de 29 de abril de 2026, o papa Leão XIV compartilhou os frutos de sua recente viagem apostólica à África, que o levou à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Este périplo, que ele apresentou como um itinerário de fé, paz e esperança, foi marcado por encontros inter-religiosos, apelos à justiça social e a descoberta da vitalidade das Igrejas africanas. Mas o que mais tocou o Santo Padre foi o fervor dos fiéis, especialmente o dos detentos da prisão de Bata, na Guiné Equatorial. Sua oração comovente, segundo ele, simboliza a presença viva do Reino de Deus no meio das realidades mais difíceis.

Leão XIV na África: a fé dos presos de Bata, sinal do Reino

Desde sua chegada à Argélia, o papa inscreveu sua viagem numa dupla fidelidade: por um lado, às raízes cristãs, através da figura de santo Agostinho de Hipona, e por outro, ao diálogo com o mundo contemporâneo, especialmente o islâmico. Ele destacou que «é possível viver juntos como irmãos e irmãs», um lembrete precioso num mundo frequentemente fragmentado por divisões.

«Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mateus 5:9, ARA)

Em Camarões: um apelo à reconciliação

Na África subsaariana, o discurso do papa ganhou uma intensidade particular. Diante das tensões que atravessam Camarões, ele fez um claro apelo a «trabalhar juntos pela reconciliação e pela paz». Mas Leão XIV não se limitou a palavras piedosas: denunciou implicitamente os desequilíbrios estruturais, mencionando «a corrupção endêmica» e a necessidade de uma «distribuição equitativa das riquezas». Uma palavra lúcida, enraizada na doutrina social da Igreja, que lembra que a fé cristã não pode se desinteressar das realidades terrenas.

O papa insistiu no papel da Igreja como fermento de justiça e paz. Citou o profeta Amós: «Corra o juízo como as águas, e a justiça como ribeiro perene» (Amós 5:24, ARA). Esta referência bíblica ressoou com força num contexto onde as desigualdades gritantes exigem conversão pessoal e coletiva.

Angola: uma Igreja purificada pela prova

Em Angola, Leão XIV contemplou uma Igreja purificada pela prova. «Deus guiou e purificou a Igreja», afirmou, lembrando que a história, mesmo marcada pela violência e pelos sofrimentos, pode se tornar um lugar de graça. O papa insistiu numa Igreja «livre para um povo livre», uma fórmula densa que articula fé e liberdade humana. Seu olhar se fez concreto: viu «rostos de idosos marcados pelas fadigas […] mas radiantes da alegria do Evangelho».

Esta alegria, que transcende as provas, é um testemunho poderoso da ressurreição de Cristo. Como escreve são Paulo: «Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desesperados» (2 Coríntios 4:8, ARA).

A oração dos presos de Bata: um sinal profético

O momento mais comovente da viagem foi sem dúvida a visita à prisão de Bata, na Guiné Equatorial. O papa ficou profundamente marcado pela fé dos detentos, que elevaram uma oração coletiva de uma intensidade rara. «A oração deles era como um grito para o céu, um grito de esperança que não pode deixar indiferente», confidenciou. Para Leão XIV, esta oração é um sinal de que o Reino de Deus já está presente, mesmo nos lugares mais sombrios.

Ele lembrou que Jesus mesmo foi preso e crucificado, e que se identifica com aqueles que estão em cadeias: «Estive preso, e fostes visitar-me» (Mateus 25:36, ARA). Esta identificação convida cada cristão a ver no rosto do prisioneiro


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