Em um mundo marcado por divisões e conflitos, histórias de reconciliação e respeito mútuo são como luzes que brilham em meio à escuridão. A Igreja Batista Esperança (IBE), localizada na Vila Mariana, em São Paulo, tem se destacado por um testemunho profético de amor ao próximo: abrir suas portas para a comunidade judaica, promovendo encontros que vão além do mero diálogo inter-religioso, alcançando uma verdadeira comunhão de corações.
Sob a liderança do pastor sênior Sergio Moura, a IBE vem cultivando há anos uma relação de afeto e solidariedade com os judeus brasileiros. O que começou como um interesse pessoal do pastor pelos acontecimentos em Israel e pelo estudo das Escrituras Hebraicas, transformou-se em uma ponte viva entre duas tradições de fé que compartilham raízes comuns. Como está escrito em Romanos 11.17-18 (NVI-PT): “Se alguns ramos foram cortados, e você, sendo oliveira brava, foi enxertado entre os ramos e agora participa da seiva que vem da raiz da oliveira, não se glorie contra os ramos.”
Essa passagem paulina nos lembra que a fé cristã não substitui, mas se insere na promessa feita a Abraão. A iniciativa da IBE, portanto, não é apenas um ato de tolerância, mas um reconhecimento teológico e prático de que somos, de alguma forma, devedores ao povo judeu.
Páscoa compartilhada: quando Pessach encontra o Cordeiro de Deus
Um dos momentos mais marcantes dessa jornada de aproximação aconteceu durante a celebração da Páscoa. Em um culto matutino, a igreja recebeu membros da comunidade judaica para compartilhar reflexões sobre o Pessach, a festa que recorda a libertação do Egito. Juntos, judeus e cristãos explicaram o significado dos alimentos tradicionais da ceia pascal judaica, como o matzá (pão ázimo), o maror (ervas amargas) e o charosset (pasta de frutas e nozes).
Para os cristãos, aqueles símbolos ganharam uma profundidade ainda maior ao serem conectados à figura de Yeshua (Jesus), o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Como lemos em 1 Coríntios 5.7 (ARA): “Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado.” A experiência de ouvir um judeu explicar o significado do Pessach e, em seguida, um cristão relacionar aquilo à obra redentora de Cristo, foi um testemunho poderoso de que o diálogo não precisa apagar as diferenças, mas pode enriquecer a compreensão de ambos os lados.
O pastor Sergio Moura, conhecido por seu profundo conhecimento da história e da profecia bíblica relacionadas a Israel, tem se dedicado a estudar tanto a dimensão histórica quanto a perspectiva profética do país. Ele acredita que a igreja não pode ignorar suas raízes judaicas e que o apoio ao povo judeu é uma expressão concreta do amor de Deus.
Antissemitismo: uma ferida que clama por cura
Infelizmente, a necessidade de iniciativas como a da IBE se torna ainda mais urgente diante do preocupante aumento do antissemitismo no mundo. Às vésperas do Yom HaShoá (Dia da Lembrança do Holocausto), a Universidade de Tel Aviv divulgou um relatório alarmante: em 2025, a violência antissemita resultou na morte de 20 judeus, o maior número registrado em três décadas.
Esse dado nos confronta com uma realidade dolorosa: o ódio contra os judeus não é uma relíquia do passado, mas uma chama que ainda queima em muitas partes do mundo, inclusive no Brasil. Líderes cristãos de diversas denominações têm se manifestado, reforçando a importância de demonstrar apoio e expressar solidariedade ao povo judeu, posicionando-se de forma clara contra o avanço do antissemitismo.
Nesse contexto, a atitude da Igreja Batista Esperança não é apenas louvável, mas necessária. Ela nos lembra que o amor ao próximo não é uma opção, mas um mandamento. Como está escrito em Levítico 19.34 (NVI-PT): “Tratem o estrangeiro que vive entre vocês como se fosse nativo; amem-no como a si mesmos, pois vocês foram estrangeiros no Egito.”
Se os cristãos foram enxertados na oliveira de Israel, como Paulo ensina, então a dor do povo judeu deve ser também a nossa dor. E a alegria deles, a nossa alegria.
Lições para a igreja hoje
A experiência da IBE nos oferece algumas lições práticas que podem ser aplicadas por outras comunidades de fé:
- Conhecer para amar: O pastor Sergio Moura não se limitou a uma simpatia superficial por Israel; ele se dedicou a estudar a história, a cultura e as Escrituras judaicas. O conhecimento gera respeito e quebra estereótipos.
- Criar espaços de encontro: A igreja não esperou que os judeus viessem até ela; ela os convidou para compartilhar momentos significativos, como a Páscoa. O diálogo verdadeiro exige iniciativa e hospitalidade.
- Reconhecer as raízes: A fé cristã tem uma dívida inestimável com o Judaísmo. Celebrar essa herança não diminui a singularidade de Cristo, mas a enriquece.
- Agir contra o preconceito: Em tempos de crescente antissemitismo, o silêncio é cúmplice. A igreja é chamada a ser voz profética contra toda forma de ódio.
Reflexão final: o que podemos fazer?
A história da Igreja Batista Esperança nos convida a olhar para além de nossas próprias comunidades e a buscar pontes de entendimento com aqueles que são diferentes de nós. Talvez você não tenha uma comunidade judaica perto de sua igreja, mas certamente há pessoas de outras origens, culturas ou crenças que podem ser alcançadas com o amor de Cristo.
Que possamos orar pela paz de Jerusalém (Salmo 122.6) e também agir para que, onde estivermos, sejamos instrumentos de reconciliação. Afinal, o Evangelho é a boa notícia de que em Cristo, judeus e gentios são reconciliados com Deus e entre si (Efésios 2.14-16).
Pergunte-se: como minha igreja ou meu círculo de influência pode promover o diálogo e o respeito com outras tradições de fé? Que passos práticos posso dar para ser um agente de paz em meio a um mundo dividido?
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