Nos últimos dias, uma notícia preocupante chegou até nós vinda da China: seis cristãos foram presos por organizarem uma Escola Bíblica Dominical para crianças na cidade de Kaili, província de Guizhou. As autoridades locais acusam os detidos de “organizar menores para se envolverem em atividades que minam a ordem pública” e de “fraude”. Este caso acende um alerta para todos que se importam com a liberdade religiosa e com o direito de transmitir a fé às novas gerações.
Entre os presos estão cinco homens e uma mulher, todos reconhecidos como líderes de igrejas domésticas na região. A notícia foi divulgada pela ChinaAid, uma organização que acompanha a perseguição religiosa no país. O que parece um crime pacífico — ensinar crianças sobre o amor de Jesus — foi tratado pelo governo chinês como uma ameaça à ordem social.
Este episódio não é isolado. Ele faz parte de uma escalada na repressão às atividades religiosas na China, especialmente aquelas que envolvem crianças e jovens. Novas regulamentações, implementadas recentemente, proíbem a evangelização de menores online e restringem retiros e treinamentos religiosos para crianças. A liberdade de culto, garantida pela constituição chinesa, na prática tem sido cada vez mais limitada pelo Partido Comunista Chinês (PCC).
Bob Fu, presidente da ChinaAid, denunciou o ocorrido como “um abuso ultrajante da lei e um ataque direto aos direitos fundamentais dos pais e das igrejas”. Ele lembrou que a constituição chinesa garante a liberdade de crença, mas o PCC tem sistematicamente visado aqueles que professam sua fé de forma independente.
O que a Bíblia diz sobre ensinar crianças?
Para nós, cristãos, a ordenança de ensinar as crianças sobre Deus é clara e antiga. Em Provérbios 22:6, lemos: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (ARA). Jesus também demonstrou grande amor pelas crianças, dizendo: “Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas” (Mateus 19:14, NVI-PT).
A Escola Bíblica Dominical não é apenas uma atividade opcional; para muitas comunidades, é a principal forma de transmitir os valores do Evangelho às novas gerações. Criminalizar esse ato de amor é, aos olhos de Deus, uma grave injustiça.
O papel dos pais na educação espiritual
A Bíblia também enfatiza a responsabilidade dos pais em educar os filhos na fé. Em Deuteronômio 6:6-7, está escrito: “Estas palavras que hoje lhe ordeno estarão no seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar” (NVI-PT).
Quando o governo proíbe que pais e líderes religiosos ensinem a Bíblia às crianças, está interferindo diretamente no direito divino e natural dos pais de guiarem seus filhos espiritualmente. Isso vai contra não apenas a fé cristã, mas também princípios universais de direitos humanos.
Como podemos orar e agir?
Diante de notícias como essa, nosso primeiro impulso deve ser a oração. Paulo nos exorta em 1 Timóteo 2:1-2: “Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade” (NVI-PT).
Oramos pelos seis cristãos presos, por suas famílias e por todos os que sofrem perseguição por causa da fé. Oramos também pelas autoridades chinesas, para que seus corações sejam tocados pelo Espírito Santo e que a liberdade religiosa seja respeitada.
Ações práticas que podemos tomar
- Informe-se: Busque fontes confiáveis sobre a perseguição religiosa no mundo. Organizações como a Portas Abertas e a ChinaAid fornecem informações atualizadas.
- Compartilhe: Divulgar essas histórias em suas redes sociais e em sua igreja ajuda a manter o assunto em evidência e mobiliza orações.
- Apoie: Considere apoiar financeiramente organizações que trabalham em prol da liberdade religiosa e que auxiliam cristãos perseguidos.
- Escreva: Enviar cartas ou e-mails para autoridades chinesas, de forma respeitosa, pedindo pela libertação dos presos pode fazer diferença.
O que a história nos ensina?
A perseguição aos cristãos não é novidade. Desde os primórdios da Igreja, os seguidores de Jesus enfrentaram oposição. No livro de Atos, vemos os apóstolos sendo presos por pregarem o Evangelho. Mas a igreja não se calou; pelo contrário, ela se espalhou ainda mais.
Jesus mesmo nos advertiu: “Se o mundo os odeia, tenham em mente que antes odiou a mim” (João 15:18, NVI-PT). A perseguição, embora dolorosa, pode ser uma oportunidade para testemunharmos nossa fé com coragem e amor.
Um chamado à unidade
Neste momento, a Igreja global é chamada a se unir em oração e ação. Não importa a denominação; somos um só corpo em Cristo. Quando um membro sofre, todos sofremos juntos (1 Coríntios 12:26).
Que esta notícia nos desperte para a realidade de que a liberdade religiosa não é garantida em todos os lugares. E que nos inspire a valorizar e proteger esse direito onde ele existe, enquanto intercedemos por aqueles que não o têm.
Reflexão final
O que você faria se lhe fosse proibido ensinar a Bíblia aos seus filhos ou às crianças da sua comunidade? Esta é a realidade que muitos cristãos enfrentam na China e em outros países. A fé que temos é um dom precioso, e compartilhá-la com as próximas gerações é um mandamento bíblico.
Que o exemplo dos irmãos presos nos inspire a não nos calarmos. Que possamos, como a igreja primitiva, orar com ousadia e agir com sabedoria. E que o Senhor continue a proteger e fortalecer aqueles que sofrem por amor ao Seu nome.
“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus” (Mateus 5:10, NVI-PT).
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