Cardeal Spengler: A Igreja como reserva ética na América Latina

Fuente: EncuentraIglesias Editorial

No coração dos desafios sociais e políticos que marcam a América Latina, a Igreja é chamada a ser uma reserva ética, um farol de esperança e justiça. Essa foi a mensagem central do cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB e do CELAM, durante o IV Encontro de Cooperação Sinodal para a América Latina e o Caribe, realizado em Santo Domingo. Em um mundo marcado por polarizações e incertezas, a instituição eclesial reafirma seu compromisso com o Evangelho e com a promoção da dignidade humana.

Cardeal Spengler: A Igreja como reserva ética na América Latina

O cardeal destacou que a Igreja não pode se calar diante das injustiças estruturais que afligem milhões de latino-americanos. A pobreza, a violência, a corrupção e a exclusão social são realidades que exigem uma resposta profética e concreta. Como está escrito em Mateus 5:13-14: “Vocês são o sal da terra. Vocês são a luz do mundo”. A Igreja é chamada a ser esse sal que dá sabor e essa luz que ilumina as trevas da sociedade.

Sinodalidade: um caminho de cooperação e esperança

O encontro em Santo Domingo foi marcado pelo espírito de sinodalidade, ou seja, a caminhada conjunta do povo de Deus. O cardeal Spengler enfatizou que a cooperação entre as dioceses e as conferências episcopais é fundamental para enfrentar os desafios comuns. “Não podemos agir isoladamente”, disse ele. “A sinodalidade nos convida a ouvir o Espírito Santo e a discernir juntos os caminhos para uma evangelização mais eficaz e uma ação social mais transformadora.”

Essa abordagem colaborativa reflete o ensinamento de São Paulo em 1 Coríntios 12:12-27, onde o apóstolo compara a Igreja a um corpo com muitos membros, cada um com sua função, mas todos necessários para o bom funcionamento do todo. Da mesma forma, cada diocese, cada comunidade e cada fiel tem um papel único a desempenhar na missão da Igreja.

Desafios específicos da região

A América Latina enfrenta desafios particulares que exigem uma resposta pastoral contextualizada. Entre eles, destacam-se a migração forçada, a degradação ambiental, a desigualdade econômica e a crise de valores. O cardeal Spengler lembrou que a Igreja deve estar ao lado dos mais vulneráveis, como os migrantes, os pobres e os indígenas. Ele citou a parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37) como modelo de compaixão e solidariedade que deve guiar a ação eclesial.

Além disso, a crise climática é uma preocupação urgente. A Igreja, seguindo a encíclica Laudato Si’ do Papa Francisco, defende a ecologia integral, que reconhece a interconexão entre a crise ambiental e a crise social. O cuidado com a criação é, portanto, uma dimensão essencial da missão cristã.

O papel da Igreja como reserva ética

Em um contexto de descrença nas instituições e de relativismo moral, a Igreja é convidada a ser uma referência ética sólida. O cardeal Spengler afirmou que a Igreja não busca poder político, mas sim ser uma consciência crítica da sociedade. Ela deve denunciar o pecado estrutural e anunciar a Boa Nova da salvação em Jesus Cristo. Como escreveu o apóstolo Pedro: “Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês” (1 Pedro 3:15).

Isso implica um compromisso com a verdade, a justiça e a paz. A Igreja deve promover o diálogo entre diferentes setores da sociedade, buscando construir pontes e superar divisões. A sinodalidade, nesse sentido, é também um método para a ação social: ouvir, discernir e agir juntos.

Uma esperança que se traduz em ação

O encontro em Santo Domingo não foi apenas um momento de reflexão, mas também de planejamento concreto. Os participantes definiram prioridades para a cooperação entre as igrejas da região, como a formação de líderes leigos, o fortalecimento das pastorais sociais e a promoção da justiça restaurativa. O cardeal Spengler concluiu sua intervenção com um apelo à esperança ativa: “Não podemos nos contentar em lamentar os problemas. Somos chamados a ser agentes de transformação, inspirados pelo Evangelho e guiados pelo Espírito Santo.”

Essa mensagem ressoa com as palavras do profeta Isaías: “Eis que faço novas todas as coisas” (Isaías 43:19). A Igreja na América Latina acredita que, mesmo em meio às dificuldades, Deus está agindo e renovando sua criação. Cabe a cada cristão ser instrumento dessa renovação.

Reflexão para o leitor

Diante dos desafios que enfrentamos em nossas comunidades, como podemos contribuir para que a Igreja seja realmente uma reserva ética? Que passos concretos podemos dar para ser sal e luz em nosso ambiente? Que tal começar orando por nossos líderes eclesiais e nos engajando em alguma ação social em nossa paróquia? A transformação começa com pequenos gestos de amor e justiça.


¿Te gustó este artículo?

Comentarios

Preguntas frecuentes

O que significa a Igreja ser uma 'reserva ética'?
Significa que a Igreja deve ser uma referência moral e espiritual na sociedade, denunciando injustiças e promovendo valores do Evangelho, como dignidade humana e solidariedade.
Qual é o papel da sinodalidade na ação da Igreja na América Latina?
A sinodalidade promove a cooperação entre bispos, clero e leigos, permitindo um discernimento conjunto para enfrentar desafios regionais e fortalecer a evangelização e a ação social.
Como a Igreja pode ajudar a superar a crise de valores na América Latina?
Oferecendo uma mensagem de esperança baseada no Evangelho, promovendo o diálogo e a reconciliação, e atuando em defesa dos mais vulneráveis, como pobres, migrantes e indígenas.
← Volver a Fe y Vida Más en Atualidade Cristã