No coração do cristianismo encontram-se doze homens comuns que foram chamados por Jesus para uma missão extraordinária. Os apóstolos, do grego "apostolos" que significa "enviado", foram os primeiros discípulos escolhidos diretamente por Cristo para estabelecer os alicerces da sua Igreja na Terra.
Os chamados pelo Mestre
Segundo o Evangelho de Mateus, os nomes dos doze apóstolos são: "Simão, chamado Pedro, e André seu irmão; Tiago filho de Zebedeu, e João seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus o publicano; Tiago filho de Alfeu, e Tadeu; Simão o Cananeu, e Judas Iscariotes, o que o entregou" (Mateus 10:2-4).
Cada um destes homens tinha uma origem diferente. Pedro, André, Tiago e João eram pescadores do lago de Genesaré. Mateus era cobrador de impostos, profissão desprezada pelos judeus da época. Simão o Zelote provavelmente pertencia a um grupo revolucionário que buscava a independência de Roma. Esta diversidade demonstra como Deus chama pessoas de toda condição social para a sua obra.
Testemunhas da ressurreição
O papel fundamental dos apóstolos era ser testemunhas oculares da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Como declara Pedro diante de Cornélio: "Nós somos testemunhas de todas as coisas que Jesus fez na terra da Judeia e em Jerusalém; a quem mataram pendurando-o num madeiro. A este Deus ressuscitou ao terceiro dia, e fez que se manifestasse" (Atos 10:39-40).
Esta função de testemunha não era meramente intelectual, mas implicava um compromisso total das suas vidas. Tinham visto o Ressuscitado, tinham tocado as suas feridas, tinham comido com ele após a ressurreição. Esta experiência transformadora converteu-os em proclamadores intrépidos do Evangelho.
O legado apostólico
Após receberem o Espírito Santo no Pentecostes, os apóstolos dispersaram-se por todo o mundo conhecido para pregar o Evangelho. Pedro pregou principalmente em Jerusalém e posteriormente em Roma, onde segundo a tradição foi crucificado de cabeça para baixo. João, conhecido como o discípulo amado, cuidou de Maria, a mãe de Jesus, e escreveu o quarto Evangelho, três epístolas e o Apocalipse.
Tiago o Maior foi o primeiro apóstolo mártir, decapitado por ordem de Herodes Agripa. O seu irmão João foi o único que morreu de morte natural, após anos de exílio na ilha de Patmos. Paulo, embora não fizesse parte do grupo original, foi chamado diretamente por Cristo ressuscitado e tornou-se o apóstolo dos gentios.
O seu exemplo para nós
Os apóstolos ensinam-nos que Deus pode usar qualquer pessoa disposta a segui-lo, independentemente da sua origem ou limitações. Pedro, impetuoso e que negou Cristo três vezes, tornou-se a pedra sobre a qual Cristo edificou a sua Igreja. Tomé, que duvidou da ressurreição até ver as feridas do Senhor, tornou-se num dos missionários mais corajosos.
Na nossa época, quando o Santo Padre Leão XIV nos chama a uma nova evangelização, o exemplo apostólico continua relevante. Como eles, somos chamados a ser testemunhas de Cristo no nosso tempo, levando a Boa Nova a todas as nações e a todas as gerações.
Os apóstolos recordam-nos que a fé cristã não se baseia em mitos ou filosofias abstratas, mas em factos históricos verificáveis. Foram homens que deram as suas vidas pelo que tinham visto e experimentado pessoalmente. O seu testemunho, preservado nas Sagradas Escrituras e na Tradição apostólica, continua a ser o fundamento inabalável da nossa fé católica.
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