Em seu primeiro ano como sucessor de Pedro, o Papa Leão XIV realizou três viagens apostólicas que o levaram à Ásia, Europa e África. Cada destino foi escolhido com cuidado pastoral, priorizando áreas onde o diálogo e a reconciliação são urgentes. O pontífice seguiu o exemplo de seu antecessor, o saudoso Papa Francisco, que tanto enfatizou uma Igreja em saída, missionária e próxima das periferias existenciais.
A mais recente jornada, em abril de 2026, cobriu quatro países africanos em dez dias: Argélia, Camarões, Costa do Marfim e Gana. Nessas visitas, Leão XIV buscou levar palavras de conforto e união, especialmente em contextos marcados por conflitos étnicos e desafios econômicos.
Na África: desarmamento dos corações e fraternidade
A visita à Argélia foi particularmente simbólica. O país, que já foi palco de uma guerra civil devastadora, ainda carrega cicatrizes profundas. O Papa se encontrou com líderes muçulmanos e cristãos, promovendo o diálogo inter-religioso como caminho para a paz. Em seu discurso, citou o apóstolo Paulo: “Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé” (Gálatas 6:10, NVI-PT).
Em Camarões, o pontífice visitou uma região afetada por conflitos entre comunidades anglófonas e francófonas. Ele se reuniu com deslocados internos e ouviu histórias de sofrimento. Em uma homilia, lembrou que “Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9, ARA). O gesto de lavar os pés de alguns refugiados durante uma missa emocionou os presentes.
Encontros com jovens e famílias
Na Costa do Marfim, Leão XIV dedicou um dia inteiro aos jovens, incentivando-os a serem agentes de transformação social. Ele destacou a importância da educação e do trabalho digno, ecoando as palavras do profeta Jeremias: “Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês, planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro” (Jeremias 29:11, NVI-PT).
Em Gana, o foco foram as famílias. O Papa celebrou uma missa campal para milhares de fiéis e abençoou casais e crianças. Ele reforçou a mensagem de que a família é o santuário da vida e o primeiro lugar onde se aprende o amor e o perdão.
Na Ásia: um chamado ao diálogo e à paz
Antes da África, Leão XIV havia visitado a Turquia e o Líbano, em uma viagem que uniu o Oriente Médio e a Europa. Na Turquia, ele se encontrou com o patriarca ecumênico de Constantinopla, dando continuidade ao diálogo ecumênico iniciado por Francisco. Juntos, assinaram uma declaração conjunta pela paz na região, pedindo o fim das hostilidades na Síria e no Iraque.
No Líbano, o Papa visitou um campo de refugiados sírios e palestinos. Em um gesto profético, ele se ajoelhou diante de uma mãe que perdera o filho na guerra e orou por ela. As imagens correram o mundo, lembrando a todos que o Evangelho é, acima de tudo, compaixão.
Na Europa: Mônaco e o testemunho da pequenez
A viagem europeia foi a Mônaco, um pequeno principado conhecido por sua riqueza. Lá, Leão XIV se encontrou com a comunidade católica local e também com os sem-teto e imigrantes que vivem às margens da sociedade. Ele celebrou uma missa em uma paróquia simples, fora dos holofotes, e disse: “O Reino de Deus está próximo daqueles que são pobres em espírito” (Mateus 5:3, ARA).
A escolha de Mônaco pode parecer surpreendente, mas o Papa quis mostrar que mesmo nos lugares mais abastados há necessidade de conversão e solidariedade.
O legado de Francisco e a continuidade do pontificado
Leão XIV tem demonstrado que deseja dar continuidade ao espírito do Concílio Vaticano II e ao pontificado de Francisco. Em todas as suas viagens, ele priorizou o encontro pessoal, o diálogo e a escuta. Não se trata de uma agenda política, mas de uma agenda pastoral: levar o Evangelho a todos, especialmente aos que sofrem.
Como escreveu o apóstolo Pedro: “Antes de tudo, tenham amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados” (1 Pedro 4:8, NVI-PT). Esse amor tem sido a marca registrada do novo Papa.
Reflexão para o leitor
O que podemos aprender com essas viagens? Talvez a principal lição seja que a fé não é algo privado, mas que nos impulsiona a sair de nós mesmos e ir ao encontro do outro. O Papa, com seus gestos, nos convida a sermos instrumentos de paz onde quer que estejamos.
Pergunte-se: em minha comunidade, em minha família, tenho buscado a reconciliação? Tenho aberto espaço para o diálogo com aqueles que pensam diferente? Que o exemplo de Leão XIV nos inspire a construir pontes, não muros.
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