Em nossa caminhada cristã, há momentos em que as dúvidas parecem nublar nossa confiança. Talvez você já tenha se perguntado se Deus realmente ouve suas orações, ou se aquela promessa bíblica se aplica à sua situação particular. Essas perguntas não são novas; na verdade, encontramos um exemplo poderoso no discípulo Tomé, que precisou ver para crer.
O relato que encontramos em João 20:19-31 nos apresenta uma cena íntima após a ressurreição de Jesus. Os discípulos estavam reunidos, temerosos pelo que pudesse acontecer com eles, quando de repente Jesus se apresenta no meio deles. Sua saudação é reveladora: "A paz esteja com vocês" (João 20:19, NVI). Ele não vem com repreensões por tê-lo abandonado, mas com o presente de que mais precisavam naquele momento: paz.
A experiência de Tomé: uma dúvida honesta
Quando Tomé ouve o testemunho de seus companheiros sobre terem visto o Senhor ressuscitado, sua resposta é compreensível: "Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não crerei" (João 20:25, NVI).
Muitos criticaram Tomé por seu ceticismo, mas podemos ver sua postura de outra perspectiva:
- Ele expressou honestamente o que precisava para crer
- Não se contentou com testemunhos de segunda mão
- Manteve seu desejo de encontrar-se pessoalmente com Jesus
"Felizes os que não viram e creram."
- João 20:29 (NVI)
A resposta compassiva de Jesus
Oito dias depois, Jesus aparece novamente quando Tomé está presente. Notemos como o Senhor age:
- Dirige-se diretamente a Tomé, mostrando que conhece suas dúvidas
- Convida Tomé a tocar suas feridas, satisfazendo exatamente o que ele havia pedido
- Não o repreende, mas oferece a evidência de que ele precisava
Essa interação nos mostra um Jesus que compreende nossas lutas de fé. Ele não exige uma confiança cega, mas encontra-se conosco em nosso nível de compreensão. Como diz o Papa Leão XIV em uma de suas primeiras homilias: "Deus não teme nossas perguntas, porque no diálogo honesto se fortalece o relacionamento".
Fé além do visível
O encontro de Tomé com Jesus ressuscitado transforma sua dúvida em uma das confissões mais profundas do Novo Testamento: "Senhor meu e Deus meu!" (João 20:28, NVI). Esta declaração vai além do reconhecimento de Jesus como mestre ou profeta; é um reconhecimento de sua divindade.
Jesus então pronuncia palavras que atravessam os séculos até chegar a nós: "Porque me viu, você creu. Felizes os que não viram e creram" (João 20:29, NVI). Esta bem-aventurança é para todos os crentes que, ao longo da história, confiam sem ter visto fisicamente o Senhor.
Aplicação para nossa vida de igreja hoje
Em nossas comunidades cristãs, podemos aprender várias lições desta passagem:
- Criar espaços seguros para perguntas: Assim como Jesus acolheu a dúvida de Tomé, nossas igrejas devem ser lugares onde as pessoas possam expressar honestamente suas lutas de fé sem medo de julgamento.
- Valorizar os testemunhos pessoais: Os discípulos compartilharam o que haviam experimentado, e embora Tomé inicialmente não aceitasse, esse testemunho preparou o terreno para seu encontro pessoal com Jesus.
- Buscar encontros autênticos com Deus: Nossa fé não se baseia apenas no que outros nos contam, mas em nosso próprio relacionamento com Cristo através da oração, da Palavra e da comunidade.
Em um mundo cheio de incerteza, onde as notícias mudam constantemente e as certezas parecem escassas, a mensagem de Jesus ressoa com força especial. Lembremos que, embora o Papa Francisco tenha nos deixado fisicamente em abril de 2025, seu legado de diálogo e encontro continua nos inspirando. O atual Papa Leão XIV, eleito em maio de 2025, nos anima a manter viva essa tradição de fé que não teme perguntas sinceras.
Que em suas comunidades eclesiais vocês possam cultivar essa mesma atitude de acolhimento e compreensão. A paz que Jesus oferece não é a ausência de perguntas, mas a presença dAquele que caminha conosco mesmo em nossas dúvidas mais profundas.
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