Em 21 de abril de 2025, a Igreja chorou a morte repentina do Papa Francisco. Poucas semanas depois, em 7 de maio, o conclave elegeu seu sucessor: o Papa Leão XIV, antes conhecido como Robert Francis Prevost. Hoje, quase um ano após aquele evento histórico, podemos fazer um primeiro balanço deste pontificado, observando como o novo Papa caminha entre continuidade e descontinuidade com seu predecessor.
A vida da Igreja é um rio que flui, às vezes calmo, às vezes impetuoso. Cada Papa, como um timoneiro, imprime seu próprio rumo, mas sempre na mesma direção: anunciar o Evangelho de Jesus Cristo. Como nos lembra a Escritura:
«Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre» (Hb 13,8).
Neste artigo, queremos acompanhá-los em uma reflexão pastoral sobre estes primeiros meses, procurando compreender os sinais dos tempos e as escolhas do Papa Leão, sem preconceitos e de coração aberto.
Continuidade com Francisco: o espírito do Sínodo
Uma das heranças mais preciosas do Papa Francisco foi a sinodalidade, entendida como caminho comum do povo de Deus. O Papa Leão mostrou seu desejo de acolher essa herança, convocando para o próximo outubro os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo para verificar juntos a recepção da exortação apostólica Amoris laetitia.
Este gesto não é apenas formal: é um sinal concreto de que a Igreja quer continuar ouvindo o Espírito Santo através do diálogo e da participação. Como disse o próprio Papa: «Não queremos que a sinodalidade fique apenas como uma bela palavra, mas que se torne prática diária em nossas comunidades».
Também a longa viagem à África, realizada no outono passado, esteve em plena sintonia com o estilo de Francisco: visitar as periferias, estar perto dos pobres, anunciar o Evangelho em terras distantes. Naqueles dias, o Papa encontrou comunidades cristãs perseguidas, falou de justiça e paz, e convidou todos a serem «sal da terra e luz do mundo» (Mt 5,13-14).
Um magistério que olha para os pobres
Nos documentos publicados até agora, como a carta encíclica Spes in via, sente-se fortemente o eco das palavras de Francisco: atenção aos migrantes, cuidado da criação, defesa da vida em todas as suas fases. O Papa Leão repetiu várias vezes que «a Igreja é uma mãe que não esquece seus filhos mais frágeis».
Portanto, não se trata de uma ruptura, mas de uma profunda continuidade nos conteúdos. O que muda talvez seja o estilo, mas não a substância do anúncio evangélico.
Descontinuidade: o retorno a um estilo mais recolhido
Se nos conteúdos há continuidade, no estilo e em algumas escolhas formais notam-se diferenças significativas. O Papa Leão optou por voltar a morar no Palácio Apostólico, deixando a Casa Santa Marta, e por usar paramentos litúrgicos mais elaborados, como os usados por Bento XVI.
Alguns viram nisso um sinal de ruptura com a simplicidade de Francisco. Mas talvez seja apenas o jeito de ser de um homem que, por temperamento, é mais reservado e inclinado à solenidade. Como disse o cardeal Gianfranco Ravasi: «Cada Papa tem seu carisma, e devemos respeitá-lo».
Também a viagem ao Principado de Mônaco, embora breve, foi interpretada por alguns como uma escolha não exatamente «em saída». No entanto, também lá o Papa encontrou jovens, presos, e levou uma mensagem de esperança.
Unidade na diversidade
Um dos maiores desafios para o Papa Leão é manter unidas as diferentes almas da Igreja. De um lado, os cardeais mais ligados a Bento XVI e a João Paulo II, que o elegeram; do outro, os que compartilharam o caminho de Francisco. O Papa parece querer buscar a unidade através de gestos de atenção para ambos os lados.
Não é fácil, mas a Igreja é chamada a ser sinal de unidade em um mundo dividido. O Papa Leão nos lembra que, além das diferenças de estilo, o essencial é permanecer unidos em Cristo. Como diz São Paulo:
«Um só Senhor, uma só fé, um só batismo» (Ef 4,5).
Nestes primeiros meses, o Papa demonstrou grande capacidade de escuta e diálogo, qualidades que serão fundamentais para enfrentar os desafios futuros. A Igreja segue seu caminho, guiada pelo Espírito Santo, confiando que, como disse o Papa Leão em sua homilia de início do pontificado: «O Senhor nunca abandona a sua Igreja».
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