Cuidando da Casa Comum: Nossa Missão como Jardineiros de Deus

Fonte: EncuentraIglesias Editorial

Querido irmão, querida irmã, você já parou para contemplar a beleza que nos cerca? O canto dos pássaros ao amanhecer, a majestade das montanhas, a tranquilidade de um rio que corre. Nada disso é por acaso. A Bíblia nos diz claramente: "Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos" (Salmos 19:1, NVI). Cada elemento da criação é como uma palavra divina que nos fala do amor e da sabedoria do nosso Criador.

Cuidando da Casa Comum: Nossa Missão como Jardineiros de Deus

Quando olhamos para o nosso planeta, não estamos apenas vendo recursos ou paisagens. Estamos contemplando o que o Papa Francisco chamava de nossa "casa comum", um espaço sagrado onde se desenvolve a história da salvação. É neste mundo que Deus se revela, onde Jesus caminhou, curou e ensinou. Por isso, nossa relação com a criação não é meramente prática ou utilitária, mas profundamente espiritual.

O salmista captura essa verdade maravilhosamente quando exclama: "Envias o teu Espírito, eles são criados, e assim renovas a face da terra" (Salmos 104:30, NVI). Essa renovação constante nos lembra que Deus não abandonou sua obra depois dos seis dias da criação. Ele continua agindo, sustentando e renovando tudo o que existe através do seu Espírito Santo.

Nossa Vocação como Guardiões da Criação

Desde o princípio, Deus nos confiou uma tarefa especial. Depois de criar o ser humano à sua imagem, disse: "Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra" (Gênesis 1:28, NVI). Essa palavra "dominar" às vezes foi mal interpretada. Não se trata de exploração impiedosa, mas de cuidado amoroso, como um bom rei cuida do seu reino ou um pastor do seu rebanho.

Somos chamados a ser jardineiros, não donos absolutos. Imagine um lindo jardim que alguém lhe empresta por um tempo. Sua responsabilidade não é extrair tudo o que puder antes de devolvê-lo, mas cuidar dele, melhorá-lo e entregá-lo em melhores condições do que recebeu. Assim é nossa relação com a criação: somos administradores temporários de um dom eterno.

Essa compreensão transforma completamente nossa maneira de nos relacionarmos com o meio ambiente. Não vemos mais a natureza como algo alheio a nós, mas como parte da nossa família estendida. Como dizia John Wesley, quando nos familiarizamos com as obras da natureza, nos tornamos parte dessa família e participamos de suas alegrias. A ignorância, por outro lado, nos faz sentir como estrangeiros em nossa própria casa.

Espiritualidade Ecológica: Uma Fé Que Se Encarna

A espiritualidade ecológica não é um tema adicional ou secundário em nossa vida de fé. É a consequência natural de crer em um Deus criador que se fez carne em Jesus. Quando o Verbo se fez carne, não apenas redimiu a humanidade, mas santificou toda a criação. Por isso, nosso compromisso com o cuidado do planeta não é apenas uma questão política ou social, mas um ato de adoração.

Essa espiritualidade se manifesta em gestos concretos: reduzir nosso consumo, reciclar, valorizar os produtos locais, caminhar ou usar transporte público quando possível. Cada pequena ação é como uma oração que diz: "Senhor, agradeço por este dom e prometo cuidar dele". Assim como cuidamos de nossos templos de pedra, devemos cuidar do templo maior que é toda a criação.

O Papa León XIV, em seus primeiros ensinamentos, retomou este chamado urgente. Seguindo o legado de seu predecessor, ele nos lembra que o cuidado da criação é inseparável do cuidado dos mais pobres, que costumam sofrer primeiro as consequências da degradação ambiental. Nossa fé nos chama a uma conversão ecológica integral que transforme tanto nosso coração quanto nossos hábitos.

Renovando a Face da Terra: Um Compromisso


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