Queridos irmãos, nestas semanas voltamos nosso olhar com carinho e oração para a África, onde o Papa Leão XIV realizou sua primeira viagem apostólica. Esta peregrinação, carregada de significado, estava há muito tempo no coração do Santo Padre, que já em maio do ano passado havia expressado o desejo de visitar o continente africano como primeiro destino de seu ministério petrino. Não se trata de uma simples viagem, mas de um retorno às fontes, um caminho para terras que deram à luz gigantes da fé e que hoje nos falam com urgência de reconciliação e esperança.
Nas pegadas de Santo Agostinho
A escolha de visitar a Argélia, e particularmente os lugares ligados à vida de Santo Agostinho, não é casual. Como você sabe, Agostinho de Hipona representa uma figura ponte extraordinária, amada profundamente em sua terra natal e venerada em todo o mundo cristão. O Papa destacou como esta visita pessoal aos lugares onde o santo bispo exerceu seu ministério – a antiga Hipona, hoje Annaba – constitui uma bênção não apenas para ele, mas para toda a Igreja e para o mundo que anseia pela paz.
«Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mateus 5:9, Nova Almeida Atualizada).
Estas palavras do Evangelho ressoam com força especial no contexto desta viagem. Santo Agostinho, que dedicou grande parte de sua reflexão à cidade de Deus e à busca da paz interior, ainda hoje nos aponta o caminho: construir pontes onde existem divisões, buscar o diálogo onde prevalece o conflito, reconhecer no outro um irmão a ser amado.
O ministério petrino: anúncio do Evangelho, não política
Durante o voo para a África, o Papa Leão XIV teve oportunidade de dialogar com jornalistas, esclarecendo com doce firmeza a natureza de seu serviço. «Eu não sou um político» afirmou, «minha tarefa é anunciar o Evangelho de Jesus Cristo». Numa época em que frequentemente se confundem os planos, o Santo Padre nos lembra a todos que a Igreja tem uma missão precisa: ser testemunha do amor de Deus e promotora da paz que só dEle pode brotar.
O Pontífice expressou com clareza que não pretende entrar em polêmicas políticas, mas que continuará, como sempre fez, a «falar em voz alta contra a guerra». Isto não é ativismo, mas obediência ao mandato evangélico. Muitas pessoas no mundo sofrem por causa dos conflitos, muitas famílias estão separadas, muitos inocentes pagam o preço de decisões tomadas longe deles. Diante desta dor, o silêncio não é uma opção para quem segue Cristo.
A resposta cristã aos ataques
Recentemente, o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump dirigiu palavras duras contra o Papa Leão XIV, criticando seu trabalho. A resposta do Santo Padre foi exemplar: sem rancor, sem confrontação pessoal, simplesmente reafirmou sua missão. Não se deixou intimidar, mas escolheu o caminho do Evangelho – aquele que transforma adversários em irmãos por quem orar e amar.
«Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que os perseguem» (Mateus 5:44, Nova Almeida Atualizada).
Isto não é fraqueza, como alguns poderiam pensar, mas a força extraordinária do amor cristão. A Igreja, ao longo dos séculos, aprendeu que a violência verbal ou física não se combate com mais violência, mas com o testemunho coerente da verdade, pronunciada sempre com caridade.
Construtores de paz na vida cotidiana
A mensagem do Papa Leão XIV não diz respeito apenas aos grandes cenários internacionais, mas toca profundamente nossa vida de cada dia. Como podemos nós, em nossa cotidianidade, ser operários da paz?
- Na família: Escolhendo as palavras com cuidado, perdoando os erros, buscando sempre o diálogo
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