Muitos cristãos lutam com uma pergunta sutil, mas persistente: Minha obediência ganha o favor de Deus? Ou é o favor de Deus que possibilita minha obediência? Esta pergunta toca o coração do evangelho. A Bíblia ensina que somos justificados—declarados justos—pela fé em Cristo, e então somos progressivamente santificados pela obra do Espírito Santo. Em outras palavras, o perdão vem antes do progresso.
Esta verdade é lindamente capturada em Romanos 8:1–4, onde o apóstolo Paulo escreve: "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto que estava enferma pela carne, Deus enviou o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e por causa do pecado, e, com efeito, condenou o pecado na carne, para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito" (ARA).
Observe a sequência: primeiro, nenhuma condenação. Depois, o Espírito nos capacita a cumprir a lei. Não somos santificados para ser aceitos; somos aceitos para ser santificados. Esta é a ordem da graça.
Por Que o Perdão Deve Vir Primeiro
Imagine uma criança que quebra um vaso valioso. Antes que o pai possa ensinar a criança a lidar com objetos frágeis com cuidado, o relacionamento precisa ser restaurado. A criança precisa saber que é perdoada e amada. Só então ela pode aprender e crescer sem medo. Da mesma forma, nosso relacionamento com Deus é restaurado através do perdão que recebemos em Cristo. Uma vez perdoados, o Espírito Santo começa o paciente trabalho de nos transformar à imagem de Cristo.
Se tentarmos ganhar a aceitação de Deus por nossos próprios esforços, nos tornaremos orgulhosos quando tivermos sucesso ou desesperados quando falharmos. O evangelho nos liberta desse ciclo exaustivo. Como Paulo escreve em Gálatas 5:1, "Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão" (ARA). O jugo de escravidão é o fardo de tentar ganhar o favor de Deus por nossas próprias obras.
Considere o exemplo do ladrão na cruz (Lucas 23:39–43). Ele não fez nada para ganhar a salvação. Simplesmente creu em Jesus, e Jesus lhe prometeu o paraíso. Seu perdão foi imediato e completo. Seu progresso em santidade só começou após a morte, mas sua justificação foi segura. Este exemplo extremo mostra que a salvação é inteiramente um dom da graça.
O Papel da Fé
A fé é a mão que recebe o dom da justificação. Não é uma obra que merece mérito; é confiança na obra consumada de Cristo. Como diz Efésios 2:8–9, "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (ARA). A fé nos conecta a Cristo, e nele somos declarados justos.
Como a Santidade Segue a Justificação
Uma vez justificados, Deus começa o processo vitalício de santificação—tornar-nos santos. Isso não é opcional; é o fruto necessário da justificação. Hebreus 12:14 diz: "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (ARA). A santidade é a evidência de que verdadeiramente nascemos de novo.
A santificação é uma obra cooperativa. Deus opera em nós, e nós respondemos obedecendo a seus mandamentos. Filipenses 2:12–13 diz: "Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (ARA). Não somos passivos; buscamos ativamente a santidade, mas o fazemos capacitados pelo Espírito.
Passos Práticos para Crescer em Santidade
- Confesse seus pecados regularmente. 1 João 1:9 promete que, se confessarmos nossos pecados, Deus é fiel para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça.
- Mergulhe nas Escrituras. Salmo 119:11 diz: "Guardo a tua palavra no coração para não pecar contra ti".
A justificação é o fundamento; a santificação é a edificação. Não podemos construir uma vida santa sem o fundamento do perdão. Aceite hoje o dom da graça e ande na liberdade que Cristo lhe dá.
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