Já sentiu que o celular da sua alma está em silêncio? Não é que Deus desligou, mas às vezes somos nós que colocamos a conversa em pausa. Nesses momentos, pode ecoar dentro de nós aquela pergunta que atravessa os séculos: "Onde estás?" (Gênesis 3:9, NVI). Não é um interrogatório de raiva, mas a voz amorosa de um Pai que sente saudades do seu filho.
A oração é essa ponte invisível que nos conecta com o divino, mas às vezes deixamos que o mato do dia a dia a cubra. Não é que decidimos conscientemente abandonar a comunicação com Deus; mais precisamente, vamos deixando de lado esse espaço sagrado até que um dia percebemos que faz tempo que não ouvimos Sua voz na intimidade.
As três portas por onde a oração escapa
Quando examinamos por que nossa vida de oração enfraquece, geralmente descobrimos que passamos por alguma destas portas:
A decepção que nos faz duvidar
"Até quando, Senhor, clamarei por socorro, sem que tu ouças?" (Habacuque 1:2, NVI). O salmista conhecia bem essa sensação. Você ora com fé, pede com esperança, mas a resposta demora ou chega diferente do esperado. A decepção pode ser uma ladra silenciosa que rouba nosso desejo de orar. Nos perguntamos: "Para que continuar falando se parece que ninguém responde?"
Mas aqui está o mistério da fé: Deus nos convida a levar exatamente essa decepção até Ele. Como diz o apóstolo Paulo: "Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus" (Filipenses 4:6, NVI). Até nossa decepção pode se tornar material de oração.
O desvio que nos afasta
Imagine que você está caminhando por uma trilha bonita, mas pouco a pouco vai se desviando para olhar flores interessantes, seguir borboletas coloridas, ou simplesmente porque o caminho principal parece muito reto e chato. Assim nos acontece às vezes com a oração. Começamos bem, mas nos desviamos para preocupações, agendas pessoais, ou simplesmente a rotina que nos absorve.
Jesus nos lembra: "Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mateus 26:41, NVI). O desvio geralmente não é dramático; é uma virada gradual, quase imperceptível, até que olhamos para trás e percebemos o quanto nos afastamos do caminho.
A distração que nos fragmenta
Vivemos na era da atenção dividida. Notificações, responsabilidades, listas de tarefas que nunca terminam. Nossa mente se parece com uma janela com múltiplas abas abertas, e a oração é apenas mais uma entre tantas. O problema não é que não queremos orar, mas que nossa capacidade de concentração foi erodida como uma praia diante do mar constante de estímulos.
Jesus nos oferece um antídoto: "Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará" (Mateus 6:6, NVI). Não se trata apenas de um lugar físico, mas de um espaço interior onde fechamos portas para o que nos fragmenta.
O caminho de volta não é uma rodovia
Voltar à oração depois de um tempo de seca pode parecer tentar reiniciar uma conversa interrompida anos atrás. Há certa estranheza, certa insegurança. "Por onde começo?" "Terei algo para dizer?" "Ele ainda se lembrará de mim?"
A boa notícia é que Deus não mantém registro do nosso silêncio. Como o pai do filho pródigo, Ele nos vê chegando de longe e corre ao nosso encontro (Lucas 15:20). Não precisamos de discursos elaborados nem explicações perfeitas. Às vezes, o melhor começo é simplesmente: "Pai, faz tempo que não conversamos. Aqui estou novamente."
"Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês" (Tiago 4:8, NVI)
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