Sarre inclui Deus e direitos humanos no novo preâmbulo da Constituição

Fonte: EncuentraIglesias Editorial

Na quarta-feira, o parlamento do estado do Sarre aprovou por ampla maioria um novo preâmbulo para sua constituição estadual. Até agora, o Sarre era o único estado alemão sem tal preâmbulo. O projeto conjunto do SPD e da CDU recebeu 46 votos a favor e apenas três contra. O AfD foi o único grupo parlamentar a votar unanimemente contra.

Sarre inclui Deus e direitos humanos no novo preâmbulo da Constituição

O novo preâmbulo começa com as palavras: «Consciente de sua responsabilidade diante de Deus e dos homens, com base na herança religiosa e humanista, o Sarre se dá esta constituição por meio de seu parlamento livremente eleito.» O líder do grupo parlamentar da CDU, Stephan Toscani, destacou que essa redação inclui deliberadamente tanto crentes quanto não crentes. Representantes das grandes religiões do mundo colaboraram nessa formulação durante uma audiência parlamentar.

Referência a Deus e herança humanista unidas

Ulrich Commerçon, líder do grupo parlamentar do SPD e cristão evangélico, sublinhou a ligação inseparável entre a referência a Deus e os direitos humanos. «Para mim, como cristão evangélico, sempre esteve claro: Deus e os direitos humanos andam juntos, inseparavelmente. Meu Deus também significa que defendamos os direitos humanos.» Essa declaração reflete uma convicção cristã fundamentada na Bíblia. No Salmo 82,3-4, está escrito: «Defendam o fraco e o órfão; façam justiça ao aflito e ao necessitado. Livrem o fraco e o pobre; tirem-nos das mãos dos ímpios» (NVI).

O novo preâmbulo une assim a dimensão religiosa à tradição humanista. Este é um passo notável que mostra que os valores cristãos e os direitos humanos universais não se excluem mutuamente, mas podem se complementar. A referência a Deus na constituição não é um sinal de exclusividade, mas uma declaração de uma base ética que transcende o Estado.

Críticas do FDP e dos Verdes

No entanto, também houve vozes críticas. A presidente estadual do FDP, Angelika Hießerich-Peter, declarou que a religião é assunto privado e que, portanto, a referência a Deus está «absolutamente fora de lugar». A política dos Verdes, Anne Lahoda, classificou a menção a Deus como «desnecessária». Ambos os partidos não estão atualmente representados no parlamento, o que não torna sua crítica menos importante. O debate mostra que a questão do papel da religião no espaço público continua controversa.

O AfD apresentou seu próprio projeto, que não continha referência a Deus, mas também foi rejeitado. Votou contra todas as três emendas constitucionais aprovadas naquele dia.

Outras emendas constitucionais: combate ao antissemitismo e proteção do tribunal constitucional

Além do novo preâmbulo, foram aprovadas outras duas importantes emendas constitucionais. A proteção da vida e da cultura judaicas, bem como o combate ao antissemitismo e ao anticiganismo, são agora explicitamente consagrados na constituição. Este é um forte sinal contra toda forma de ódio e discriminação. A Bíblia nos exorta: «Ame o seu próximo como a si mesmo» (Levítico 19,18, NVI). Esse amor se aplica sem exceção a todas as pessoas, independentemente de sua origem ou religião.

A terceira emenda diz respeito ao procedimento para a eleição dos juízes do Tribunal Constitucional. Futuramente, o tribunal estará melhor protegido contra bloqueios por partidos extremistas ou antidemocráticos. Com isso, fortalece-se a independência do Judiciário, algo fundamental para um Estado de Direito.

O que esse passo significa para os cristãos?

Para os cristãos no Sarre e além, essa decisão é um encorajamento. Mostra que a fé em Deus ainda tem lugar na vida pública, mesmo em uma sociedade cada vez mais secular. A referência a Deus na constituição lembra que nossa dignidade e direitos não são concedidos pelo Estado, mas baseiam-se em uma realidade transcendente. Ao mesmo tempo, a conexão com os direitos humanos deixa claro que a fé cristã não é um refúgio privado, mas um chamado à responsabilidade social. A decisão do Sarre pode servir de modelo para outros estados e países que buscam um equilíbrio entre tradição religiosa e modernidade pluralista. Lembra-nos que fé e razão, religião e direitos humanos não precisam ser opostos, mas podem enriquecer-se mutuamente.


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