A Igreja Católica sempre foi um espaço de rica diversidade, e a liturgia é um dos aspectos onde essa diversidade se manifesta de maneira especial. Nos últimos anos, o debate sobre a Missa em latim (rito antigo) e o Novus Ordo (Missa moderna) gerou perguntas entre os fiéis. Podem ambas as formas coexistir? O que diz a Igreja a respeito? Neste artigo, exploramos a visão do abade primaz beneditino Jeremias Schröder, que oferece uma perspectiva de unidade e respeito mútuo.
A convivência pacífica na ordem beneditina
O abade primaz Jeremias Schröder, beneditino alemão, compartilhou em uma entrevista que dentro da ordem beneditina o rito romano antigo e o Novus Ordo coexistem de forma muito pacífica. Segundo Schröder, cerca de dez abadias beneditinas celebram o rito antigo, a maioria na França, e estão integradas na Congregação de Solesmes. Um exemplo notável é a abadia de Fontgombault, onde se celebra tanto o rito antigo quanto o Novus Ordo, demonstrando que a diversidade litúrgica não precisa ser motivo de divisão.
«Todos nos tratamos com respeito. Como abade primaz, sou também o abade primaz dessas comunidades, embora eu mesmo só possa celebrar a missa com o novo missal. Foi o que fiz quando fui convidado para Fontgombault para a missa conventual, e foi aceito sem problemas.» — Abade Jeremias Schröder
Esta declaração reflete um espírito de fraternidade que transcende as diferenças rituais. A ordem beneditina, conhecida por seu lema «Ora et labora» (Reza e trabalha), soube manter a unidade na diversidade, priorizando a comunhão sobre as preferências pessoais.
O futuro do rito antigo sob o papa Leão XIV
Com a eleição do papa Leão XIV em maio de 2025, muitos se perguntam que direção a Igreja tomará quanto à liturgia. O abade Schröder expressou sua curiosidade em ver como o novo pontífice abordará a questão do rito antigo. Lembremos que o papa Bento XVI, com seu motu proprio «Summorum Pontificum», ampliou o acesso à Missa em latim, reconhecendo seu valor para aqueles que construíram sua vida espiritual em torno dela.
Schröder opina que a forma antiga não pode ser completamente marginalizada, pois há irmãos e irmãs que basearam sua vida religiosa nesta forma de oração. «Agora ela adquiriu um lugar legítimo na Igreja e deve ser permitida, ao menos em certos âmbitos», afirmou. Esta postura é coerente com o chamado do apóstolo Paulo à unidade na diversidade: «Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo» (1 Coríntios 12:4, NVI).
Lições da história: de Lefebvre à comunhão
Um capítulo importante nesta história é o da abadia de Le Barroux e suas fundações, que inicialmente estavam orientadas para o movimento lefebvrista. Após as consagrações episcopais de 1988, que levaram a uma ruptura com Roma, o mosteiro buscou a reconciliação e voltou à plena comunhão com a Igreja. Hoje, sob a autoridade do abade Schröder, Le Barroux é um exemplo de como a tradição e a unidade podem caminhar juntas.
Este processo de cura nos lembra as palavras de Jesus: «Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti» (João 17:21, ARC). A Igreja é chamada a ser um sinal de unidade, mesmo quando há diferenças nas formas de celebrar a fé.
Reflexão final: o que significa para você a diversidade litúrgica?
A diversidade litúrgica na Igreja não é uma ameaça, mas uma riqueza. Tanto o rito antigo quanto o Novus Ordo têm o mesmo objetivo: levar os fiéis a um encontro com Cristo na Eucaristia. Como cristãos, somos chamados a respeitar as diferentes expressões de fé, desde que estejam em comunhão com a Igreja.
Convidamos você a refletir: Você já teve a oportunidade de participar de uma Missa no rito antigo? Como isso impactou sua fé? Compartilhe suas ideias conosco.
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