Nas últimas semanas, moradores do histórico bairro de Monti, em Roma, levantaram suas vozes contra uma prática que consideram uma afronta à sacralidade de seus templos. A Basílica Patriarcal de Santa Maria Maior, um dos locais de culto mais antigos e venerados da cristandade, tornou-se palco de uma polêmica que transcende o local: enormes outdoors de uma conhecida marca francesa de perfumes foram instalados em sua fachada e ábside, acesos durante a noite, transformando o monumento em um suporte publicitário.
Um grupo de fiéis e vizinhos, organizados como o Comitê de Cidadãos do Distrito de Monti, enviou uma carta de protesto ao cardeal arcipreste Rolandas Makrickas. Nela, expressam sua "profunda consternação" pelo que consideram uma "comercialização" do espaço sagrado. A carta, reproduzida pela mídia local, questiona a necessidade de tal publicidade ostensiva, que "nada tem a ver com a atmosfera e o caráter sagrado do lugar."
Não é a primeira vez que isso acontece. Em meses anteriores, a mesma basílica foi usada para promover desde café com a imagem de um tenista famoso até o último modelo de smartphone. Cada vez, a indignação cresce. Mas desta vez, a gota d'água foi o perfume. Os manifestantes denunciam que a basílica está se tornando um mero "anúncio ambulante", perdendo sua dignidade como casa de oração.
O que a Igreja diz sobre isso?
Até o momento, o Vaticano não emitiu um comunicado oficial sobre esta controvérsia em particular. No entanto, o papa Leão XIV, que assumiu o pontificado em maio de 2025 após a morte de Francisco, mostrou repetidas vezes sua preocupação com a "mundanização" da Igreja. Em uma homilia recente, ele advertiu: "Não podemos permitir que os templos se tornem mercados. O Senhor expulsou os vendedores do templo, e nós devemos cuidar para que a casa de Deus seja lugar de encontro com Ele, não de consumo."
A referência evangélica é clara. No Evangelho de João, capítulo 2, versículos 13 a 17, o próprio Jesus expulsa os cambistas do templo, dizendo: "Tirem estas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado!" Seus discípulos lembraram então que estava escrito: "O zelo pela tua casa me consumirá." Este ensinamento ressoa fortemente hoje entre os fiéis que veem os interesses comerciais invadindo espaços sagrados.
"Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado!" — João 2:16 (NVI)
No entanto, alguns defensores da prática argumentam que esses anúncios geram receita que ajuda na manutenção dos monumentos históricos, cujo custo de restauração é altíssimo. A Basílica de Santa Maria Maior, com seus mais de 1.500 anos de história, requer constantes trabalhos de conservação. Mas este é o caminho certo? Até onde a Igreja está disposta a ceder ao mercado?
O dilema entre a fé e o financiamento
Não é um problema exclusivo de Roma. Em todo o mundo, igrejas e catedrais enfrentam o desafio de financiar sua manutenção sem comprometer sua identidade sagrada. Algumas optaram por cobrar entrada de turistas, outras por alugar espaços para concertos ou eventos. Mas a publicidade nas fachadas é um passo que muitos consideram longe demais.
No caso de Santa Maria Maior, o contrato com a marca de perfumes não foi tornado público, mas especula-se que chega a cifras milionárias. O cardeal Makrickas, que recebeu a carta de protesto, ainda não respondeu. Enquanto isso, os moradores de Monti se perguntam se vale a pena o dinheiro em troca da perda de respeito e silêncio que um local de oração merece.
A voz dos fiéis: o que a Bíblia diz?
A Escritura nos oferece princípios claros sobre a santidade dos lugares de culto.
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