Papa León XIV na África: O Diálogo e a Esperança em Deus Como Caminho para a Paz

Fonte: EncuentraIglesias Editorial

No coração da África, onde as feridas dos conflitos ainda estão abertas, o Santo Padre León XIV trouxe uma palavra que ressoa como bálsamo para a alma. Durante sua visita apostólica a Camarões, o Pontífice escolheu encontrar-se com as comunidades de Bamenda, uma cidade que conheceu muito bem a dor da violência e da divisão. Sua mensagem, porém, não foi um simples lamento sobre as tragédias humanas, mas um poderoso chamado à esperança enraizada em Deus. Como recorda o Salmo 46: "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia" (Sl 46:1 NVI). É desta certeza que nasce a força para olhar para o futuro com confiança, mesmo quando o presente parece sombrio.

Papa León XIV na África: O Diálogo e a Esperança em Deus Como Caminho para a Paz

O Papa destacou como, nas situações mais difíceis, a tentação de se sentir abandonado é forte. No entanto, a fé cristã nos ensina que Deus nunca nos deixa sozinhos. Sua presença é uma promessa que atravessa toda tempestade. Isso não significa ignorar o mal ou minimizar o sofrimento, mas reconhecer que existe uma força maior que o ódio e a destruição. A paz, portanto, não é uma utopia distante, mas um caminho que começa no coração de cada crente que se entrega ao Senhor.

A Condenação do Uso Instrumental da Fé

Com palavras claras e pastorais, León XIV alertou para um perigo antigo mas sempre atual: dobrar o nome de Deus e o sentimento religioso para fins que nada têm a ver com o Evangelho. "Ai de quem usa o sagrado para fins profanos", advertiu, referindo-se a quem instrumentaliza a religião para justificar ambições de poder, econômicas ou políticas. Este aviso ressoa com a pureza da mensagem de Jesus, que nos chama a ser pacificadores (Mt 5:9 NVI). A fé autêntica une, constrói, perdoa; não divide, destrói ou oprime.

O Pontífice denunciou a trágica contradição de um mundo onde se encontram imensos recursos para financiar conflitos, enquanto faltam meios para curar, educar e levantar as populações de suas misérias. É uma espiral de morte que empobrece a todos, vítimas e algozes. Em contraste, apontou para a multidão de "irmãos e irmãs solidários" que, no silêncio e com gestos concretos, sustentam o mundo. São eles os verdadeiros construtores da paz, aqueles que encarnam a bem-aventurança evangélica.

"Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus" (Mt 5:9 NVI).

O Caminho da Reconstrução: Uma Tarefa para Hoje

"Hoje e não amanhã". Com esta urgência, o Papa lançou um apelo à reconstrução. Não se trata apenas de reedificar casas e estradas, mas de recompor o "mosaico da unidade", valorizando as diversidades que enriquecem um povo e um continente. A reconciliação é apresentada como o único caminho para uma paz duradoura. Este processo requer a coragem do perdão, que não é esquecer o mal sofrido, mas decidir não se deixar governar pelo ódio. Como escreve São Paulo: "Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem" (Rm 12:21 NVI).

Neste esforço coletivo, um papel especial é confiado aos jovens. Representando a maioria da população em muitos países africanos, eles são a seiva vital para o futuro. A eles o Pontífice dirigiu uma confiança especial, encorajando-os a não deixar que lhes roubem a esperança e a se tornarem protagonistas de uma mudança baseada nos valores do Evangelho. São chamados a construir sociedades onde reinem a justiça, o diálogo e o respeito por cada pessoa, imagem de Deus.

O Diálogo Como Modelo

Um aspecto particularmente significativo da mensagem de León XIV foi o reconhecimento do diálogo entre cristãos e muçulmanos em Bamenda. Este esforço de encontro e colaboração pelo bem comum foi indicado como "um modelo para o mundo inteiro". Numa época marcada por tensões e mal-entendidos, este testemunho concreto mostra que a convivência pacífica e o trabalho conjunto são possíveis quando se parte do respeito mútuo e da busca do bem comum. O Papa encorajou a continuar por este caminho, lembrando que cada pequeno gesto de aproximação contribui para tecer uma rede de paz que pode transformar realidades inteiras.


Gostou deste artigo?

Comentários

← Voltar para Fé e Vida Mais em Atualidade Cristã