Nestes dias, nosso Santo Padre Leão XIV empreendeu uma viagem pastoral de grande significado na República dos Camarões. Este país da África Central, cruzamento de culturas e línguas diversas, acolhe com calor o sucessor de Pedro em um momento particularmente delicado de sua história. A visita, que segue as de João Paulo II em 1985 e 1995 e a de Bento XVI em 2009, representa um sinal tangível da solicitude da Igreja por todas as nações, especialmente aquelas que atravessam períodos de provação.
Ao chegar na capital Yaoundé, o Papa Leão XIV encontrou-se com as autoridades civis, representantes da sociedade e o corpo diplomático no palácio presidencial. Para recebê-lo, o presidente Paul Biya, juntamente com a primeira-dama Chantal Biya. Neste contexto institucional, o Pontífice ofereceu palavras que, embora dirigidas especificamente aos Camarões, ressoam como uma mensagem universal para toda a família humana.
O Mandamento do Amor: Fundamento das Relações entre os Povos
No centro do discurso do Papa Leão XIV esteve uma reflexão profunda e corajosa sobre a aplicação do mandamento evangélico do amor além da esfera pessoal, estendendo-o às relações entre Estados e nações. O Santo Padre recordou que governar significa, antes de tudo, amar o próprio país com um olhar que abrace também os países vizinhos. Este princípio encontra seu fundamento nas Escrituras, como nos recorda o Evangelho de Marcos:
«Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças. O segundo é este: Ame o seu próximo como a si mesmo. Não há mandamento maior do que estes.» (Marcos 12,30-31 NVI)
Esta verdade, frequentemente considerada em sua dimensão individual, é proposta por Leão XIV como critério fundamental também para a política internacional. O amor ao próximo, quando se torna princípio inspirador das relações entre os povos, pode transformar radicalmente a abordagem aos conflitos, às migrações e à cooperação econômica. Não se trata de um sentimentalismo vago, mas de uma escolha concreta que privilegia o bem comum em relação aos interesses particulares.
A Paz como Compromisso Pessoal e Institucional
Particularmente comovente foi a insistência do Papa no fato de que a paz não pode se reduzir a um slogan ou a uma declaração de intenções. Deve, em vez disso, encarnar-se em um estilo de vida, tanto pessoal quanto institucional, que rejeite categoricamente toda forma de violência. Esta afirmação ressoa com força particular em um país como os Camarões, que há anos enfrenta uma dolorosa guerra civil nas regiões noroeste e sudoeste.
O conflito, que opõe grupos separatistas anglófonos ao exército regular francófono, já causou milhares de vítimas e forçou aproximadamente um milhão de pessoas a abandonar suas casas. A esta tragédia soma-se o drama dos sequestros, que semeiam terror nas comunidades locais. Diante desta realidade, as palavras de Leão XIV adquirem um peso particular: a paz é responsabilidade de todos, mas em primeiro lugar das autoridades civis chamadas a servir o bem dos cidadãos.
A Contribuição Insubstituível das Comunidades de Fé
O Pontífice destacou com clareza como a construção da paz requer a contribuição ativa de todos os componentes da sociedade, incluindo as comunidades de fé. O diálogo inter-religioso, longe de ser opcional, revela-se um antídoto poderoso contra o veneno dos fundamentalismos que, no norte dos Camarões, encontram expressão também no terrorismo do Boko Haram.
A história da salvação nos mostra como Deus sempre suscitou profetas de paz, justiça e perdão. Hoje, estes profetas podem ser os líderes religiosos de diferentes confissões que, a partir de suas tradições espirituais, trabalham pela reconciliação. A Igreja Católica nos Camarões, juntamente com outras comunidades cristãs e muçulmanas, é chamada a ser um farol de esperança em meio às trevas do conflito.
O Papa concluiu seu discurso com um convite a redescobrir a força transformadora do amor, que é capaz de curar feridas antigas e construir pontes onde antes havia muros. Esta mensagem, pronunciada em solo africano, é um chamado a todos os cristãos do mundo a se comprometerem ativamente pela paz, começando por suas próprias comunidades e estendendo este compromisso às relações entre nações.
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