Papa Leão XIV exalta a teranga senegalesa como exemplo de convivência no Vaticano

Fonte: EncuentraIglesias Editorial

No sábado, 9 de maio de 2026, o Papa Leão XIV recebeu no Vaticano uma delegação de representantes das comunidades muçulmanas do Senegal, acompanhados por líderes da Igreja Católica senegalesa. Esta audiência, marcada pela fraternidade e pela paz, destacou a importância do diálogo entre cristãos e muçulmanos. Em seu discurso, o Santo Padre elogiou o espírito da teranga, esse valor cultural senegalês baseado na hospitalidade e na solidariedade.

Papa Leão XIV exalta a teranga senegalesa como exemplo de convivência no Vaticano

«Estou feliz em recebê-los, vocês que representam as irmandades e comunidades muçulmanas do Senegal, junto aos representantes da Igreja Católica do mesmo país. Este encontro é uma expressão significativa de nossa amizade e de nosso compromisso comum de promover uma sociedade inclusiva, pacífica e fraterna», declarou o Papa no início de sua fala.

Este evento dá continuidade ao compromisso da Igreja Católica com o diálogo inter-religioso, um tema caro a seu predecessor, o Papa Francisco, falecido em abril de 2025. Leão XIV, eleito em maio de 2025, prossegue assim essa abertura a outras confissões, insistindo nos valores compartilhados em vez das diferenças doutrinárias.

A teranga: uma riqueza cultural e espiritual

O Papa discorreu longamente sobre a noção de teranga, que apresentou como uma das riquezas do Senegal. Esse termo wolof, que vai além da simples hospitalidade, designa um modo de vida baseado no respeito, na atenção ao próximo e no compartilhar. «O Senegal é o país da teranga, uma cultura de hospitalidade e solidariedade», afirmou.

Na sociedade senegalesa, esse valor se manifesta concretamente nas relações cotidianas entre muçulmanos e cristãos. As grandes festas religiosas são frequentemente ocasião de trocas entre famílias, e as autoridades religiosas mantêm vínculos regulares em questões educacionais ou humanitárias. A teranga contribui assim para manter uma convivência pacífica, mesmo que possam existir tensões sociais.

O Santo Padre sublinhou que esse modelo de fraternidade é um tesouro precioso em um mundo marcado por divisões identitárias. Ele pediu que não se instrumentalize o nome de Deus para justificar violência ou exclusão, lembrando que «Deus é amor e paz».

Um apelo à fraternidade universal

Em seu discurso, o Papa Leão XIV convidou cristãos e muçulmanos a serem artesãos da paz, inspirando-se na teranga. Citou a Bíblia lembrando que «o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Romanos 5:5, NVI). Este versículo ilustra a fonte da fraternidade cristã, que deve se estender a todos os homens.

O Papa também mencionou o Alcorão, onde está escrito: «Ó humanos! Nós vos criamos de um varão e de uma fêmea, e fizemos de vós nações e tribos, para que vos conheçais uns aos outros» (Sura 49:13). Esse reconhecimento mútuo está no coração do diálogo inter-religioso.

Um exemplo para o mundo

O exemplo do Senegal, onde muçulmanos (cerca de 95% da população) e cristãos (cerca de 4%) vivem em paz há séculos, é uma fonte de inspiração para muitos países. O Papa expressou sua esperança de que esse espírito de teranga possa irradiar além das fronteiras senegalesas, especialmente em regiões onde as tensões religiosas são agudas.

«Esse tesouro de fraternidade, que é de vocês, é um dom de Deus. Deve ser protegido e compartilhado», declarou. Ele incentivou os líderes religiosos a continuarem trabalhando juntos pelo bem comum, especialmente nas áreas de educação, saúde e combate à pobreza.

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