Em um encontro histórico no Vaticano, o Papa Leão XIV reuniu-se com líderes muçulmanos do Senegal para reafirmar a importância do diálogo inter-religioso como caminho para a paz. O Santo Padre destacou que a convivência pacífica entre cristãos e muçulmanos não apenas é possível, mas necessária em um continente africano marcado por conflitos e tensões.
“Hoje mais do que nunca, devemos lembrar que todos somos filhos do mesmo Deus”, expressou o Pontífice, citando o livro de Gênesis: “Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27, NVI). Esta verdade fundamental, disse ele, é a base sobre a qual construir pontes de entendimento e respeito mútuo.
O Papa Leão XIV, que assumiu o cargo em maio de 2025 após a morte do Papa Francisco, deu continuidade ao legado de seu predecessor na promoção da paz e do diálogo. Durante a reunião, lembrou que o Senegal é um exemplo de como diferentes tradições religiosas podem coexistir em harmonia, e pediu que se preserve esse “tesouro de fraternidade” para as futuras gerações.
África: um continente ferido que precisa de cura
O Papa não ignorou as realidades dolorosas que a África enfrenta. Os conflitos armados em países como a República Democrática do Congo, Sudão do Sul e Sahel deixaram milhões de deslocados e vítimas. Nesse contexto, o diálogo inter-religioso torna-se uma ferramenta vital para aliviar tensões e construir uma paz duradoura.
“Cristãos e muçulmanos cremos juntos que todo ser humano é criado pelas mãos de Deus, dotado assim de uma dignidade que nenhuma lei nem poder humano tem o direito de confiscar”, afirmou o Papa. Esta declaração ressoa com os ensinamentos bíblicos sobre o valor de cada pessoa, como se lê no Salmo 139:13-14: “Pois tu formaste o meu interior; tu me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável” (NVI).
O papel da fé na construção da paz
A fé, segundo o Papa, não deve ser motivo de divisão, mas um motor para a reconciliação. “Rejeitamos qualquer instrumentalização do nome de Deus com fins militares, econômicos ou políticos”, declarou. Este chamado é especialmente relevante em regiões onde a religião tem sido usada para justificar a violência.
O Papa também exortou os líderes religiosos a levantarem suas vozes em apoio às minorias que sofrem perseguição. “Não podemos calar diante da injustiça. Nossa fé nos exige ser defensores dos oprimidos”, acrescentou, lembrando as palavras de Isaías 1:17: “Aprendam a fazer o bem, busquem a justiça, defendam o oprimido” (ARA).
A Fundação João Paulo II para o Sahel: um legado de esperança
No mesmo dia, o Papa Leão XIV reuniu-se com os membros da Fundação João Paulo II para o Sahel, uma organização fundada por São João Paulo II em 1984 para combater a desertificação e a pobreza na região do Sahel. O Papa lembrou que esta fundação é um exemplo concreto de como a fé pode se traduzir em ações que transformam vidas.
“A paz não se constrói apenas com palavras, mas com gestos concretos de solidariedade”, disse o Pontífice. A fundação implementou projetos de desenvolvimento sustentável, acesso à água e educação, demonstrando que o amor ao próximo é uma exigência do Evangelho. Como está escrito em Tiago 2:17: “Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta” (NVI).
Um modelo para o mundo
O trabalho da Fundação João Paulo II para o Sahel é um modelo de como as comunidades cristãs e muçulmanas podem colaborar para enfrentar problemas comuns. “Quando trabalhamos juntos pelo bem comum, nossas diferenças se tornam secundárias”, afirmou o Papa. Esta abordagem prática é essencial para superar as divisões históricas e construir um futuro de paz.
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