Há pouco mais de um ano, em 21 de abril de 2025, o mundo cristão se despediu do Papa Francisco, um pastor que marcou profundamente a Igreja com seu estilo próximo, seu amor pelos pobres e seu chamado a uma reforma eclesial. Agora, a Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosas e Religiosos (CLAR) lançou um livro gratuito intitulado Legado de Francisco à Igreja e à Vida Religiosa, uma obra que reúne os ensinamentos e o espírito deste pontífice, especialmente pensada para quem consagrou sua vida ao serviço de Deus.
Este livro não é apenas uma homenagem, mas uma ferramenta para manter viva a herança pastoral, espiritual e social de Francisco. Foi apresentado no contexto do Dia Mundial de Oração pelas Vocações, em 26 de abril de 2026, exatamente um ano após sua partida. A iniciativa reúne 21 autores de diferentes âmbitos eclesiais e acadêmicos da América Latina, incluindo leigos, religiosas e sacerdotes de congregações como os Missionários do Espírito Santo, a Companhia de Jesus e a Ordem dos Pregadores.
“A liderança do Papa Francisco se sustentava na oração, na escuta do Espírito e na convicção de que o Evangelho deve voltar a ser o centro da vida eclesial”, explica o Pe. Israel Arévalo Muñoz, secretário adjunto da CLAR, nas páginas introdutórias da obra.
Quatro pilares de um legado
O livro está estruturado em quatro seções que abordam diferentes facetas do ministério de Francisco. A primeira, “Espiritualidade e novo humanismo”, explora como o Papa convidou a redescobrir uma fé encarnada, que não teme o diálogo com o mundo moderno. A segunda seção, “Horizontes teológico-pastorais”, analisa suas contribuições à teologia e à prática pastoral, sempre com foco na misericórdia e na inclusão.
A terceira parte, “Provocações de Francisco à Vida Religiosa”, é talvez a mais direta para quem fez votos de pobreza, castidade e obediência. Aqui estão reunidos seus chamados a sair das comodidades, a estar nas periferias e a ser testemunhas da alegria do Evangelho. Finalmente, “Francisco e os desafios socioambientais e políticos do mundo” aborda temas como ecologia integral, justiça social e compromisso com os mais vulneráveis, seguindo a linha de sua encíclica Laudato Si'.
O prefácio foi escrito pelo Cardeal Ángel Rossi, Arcebispo de Córdoba, Argentina, considerado um “filho espiritual” de Francisco. Em suas palavras, reflete-se a proximidade e o carinho que o Pontífice soube cultivar mesmo em seus anos de formação como seminarista e jesuíta.
Um estilo que marcou a Igreja
Um dos aspectos mais destacados do livro é como descreve o estilo de evangelização de Francisco. Não era um Papa de discursos distantes, mas de gestos concretos: visitar presos, lavar os pés dos marginalizados, abraçar os doentes. Como ele mesmo dizia, a Igreja deve ser um “hospital de campanha” para os feridos da vida. Essa imagem ressoa com força nas páginas do livro.
O Pe. Arévalo Muñoz assinala que Francisco impulsionou uma “reforma eclesial profunda, desde a transparência, a corresponsabilidade e a conversão pastoral”. Não se tratava apenas de mudar estruturas, mas de transformar corações. Sua liderança se sustentava na oração e numa confiança radical no Espírito Santo.
Na Bíblia encontramos ecos dessa maneira de pastorear. O próprio Jesus disse: “Quem quiser ser o primeiro, que seja servo de todos” (Marcos 9:35, NVI). Francisco viveu esse ensinamento de forma exemplar, e este livro convida os consagrados e todo cristão a seguir esse caminho.
Por que este livro é importante hoje?
Em um momento em que a Igreja enfrenta novos desafios sob a liderança do Papa Leão XIV, eleito em maio de 2025, lembrar os ensinamentos de Francisco não é um exercício de nostalgia, mas uma fonte de inspiração. O livro oferece um roteiro para a vida religiosa na América Latina, uma região que Francisco sempre carregou no coração. Seu legado nos lembra que a Igreja deve ser uma mãe de braços abertos, uma comunidade que sai ao encontro dos outros e um sinal de esperança num mundo ferido.
Para quem deseja baixar o livro, a CLAR o disponibilizou gratuitamente em seu site oficial. É um convite a refletir, orar e continuar construindo a Igreja que Francisco sonhou: pobre, missionária e misericordiosa.
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