A vida tem um jeito de nos lançar desafios inesperados. Quando uma crise chega —perda de emprego, susto de saúde, tragédia familiar— muitas pessoas instintivamente buscam comunidade. Mas encontrar uma família de fé no meio de uma emergência pode parecer como tentar construir um abrigo enquanto a tempestade já está rugindo. O melhor momento para se conectar, para se enraizar em uma comunidade de fé, é muito antes dos ventos começarem a soprar.
Em meus anos de ministério pastoral, vi inúmeras pessoas passarem pela igreja sem nunca realmente pertencerem. Elas vêm aos domingos, ouvem sermões, talvez até participem de um pequeno grupo por um tempo. Mas quando a vida fica difícil, muitas vezes se encontram sozinhas, sem saber a quem chamar ou aonde ir. Por isso, acredito que se comprometer com uma igreja local —formal ou informalmente— é uma das decisões mais práticas e espiritualmente sábias que um cristão pode tomar.
A ideia de membresia na igreja pode parecer estranha ou até desagradável para alguns. Soa institucional, burocrático ou talvez desnecessário. Mas em seu coração, a membresia não é sobre um nome em uma lista ou um certificado na parede. É sobre dizer: "Este é o meu povo, e vou caminhar com eles na alegria e na tristeza."
A membresia da igreja é bíblica?
Alguns cristãos se perguntam se o Novo Testamento realmente ensina a membresia na igreja. Afinal, a igreja primitiva não tinha cartões de membresia, classes ou listas oficiais. Mas o conceito de pertencer a um corpo específico de crentes está entrelaçado nas Escrituras.
Em 2 Coríntios 2:6, Paulo se refere a uma "maioria" na igreja que disciplinou um membro desviado. A implicação é que havia um senso claro de quem estava "dentro" e quem estava "fora". Da mesma forma, em Mateus 18:15-17, Jesus descreve um processo de disciplina na igreja que culmina em tratar uma pessoa impenitente "como gentio e publicano" —ou seja, como alguém fora da comunidade. Isso só faz sentido se houvesse uma comunidade definida desde o início.
O apóstolo Paulo, escrevendo aos romanos, saúda dezenas de pessoas pelo nome no capítulo 16. Ele sabia quem pertencia às igrejas daquela cidade. Em Hebreus 13:17, os crentes são instruídos a "obedecer a seus líderes e submeter-se a eles", pois eles velam por suas almas. Mas como você pode se submeter a líderes com os quais não se comprometeu? Como um pastor pode cuidar de ovelhas que sempre fogem para outros pastos?
"Obedeçam aos seus líderes e submetam-se a eles, pois eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Deixem que eles façam isso com alegria e não com queixas, porque isso não seria proveitoso para vocês." — Hebreus 13:17 (NVI)
A membresia na igreja, em sua forma mais simples, é um compromisso mútuo entre um crente e uma congregação local. Diz: "Estarei aqui para você, e você estará aqui para mim". Esse tipo de relacionamento de aliança não é apenas uma invenção moderna; é uma expressão prática do corpo de Cristo descrito em 1 Coríntios 12.
E quanto à dor de igreja e abusos de poder?
Sei que para alguns leitores, a palavra "membresia" desencadeia memórias dolorosas. Talvez você tenha experimentado dor na igreja —um líder que abusou de sua autoridade, uma congregação que fofocou, ou um sistema que parecia controlador. Essas são feridas reais, e não devem ser descartadas.
Mas a solução para uma comunidade quebrada não é evitar a comunidade por completo. Em vez disso, podemos aprender com o passado e buscar igrejas saudáveis e responsáveis. Uma boa igreja não usará a membresia como ferramenta de controle, mas como uma estrutura para o cuidado. Os líderes devem ser transparentes, acessíveis e dispostos a ouvir. Se você foi ferido, encorajo você a ter calma, orar e encontrar uma igreja onde a confiança possa ser reconstruída gradualmente.
Lembre-se de que nenhuma igreja é perfeita. Toda congregação é composta por pessoas imperfeitas que ainda estão sendo transformadas pela graça. O objetivo não é encontrar uma igreja sem defeitos, mas encontrar uma
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