Desde que os talibãs retornaram ao poder em 2021, os cristãos no Afeganistão enfrentam perseguição crescente. Em um trágico incidente recente, extremistas descobriram uma igreja subterrânea perto de Bamiyã, matando aproximadamente 24 convertidos da comunidade hazara. A maioria morreu por ferimentos de bala, e um jovem teve a garganta cortada antes que o prédio fosse incendiado. Este ataque faz parte de um padrão mais amplo de violência contra aqueles que deixam o islamismo, crime punível com morte sob o regime talibã.
O pastor Irfan, que ministra a cristãos afegãos há mais de uma década, recebeu mensagens desesperadas durante um seminário bíblico em Quetta, Paquistão. A notícia o devastou, deixando-o sem dormir por dias. Ele descreveu as vítimas como queridos irmãos e irmãs que abraçaram a Cristo apesar de conhecerem os riscos. A igreja subterrânea que ele pastoreia cresceu de um punhado de convertidos para centenas de famílias, muitas das quais fugiram para países vizinhos.
“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.” — Mateus 5:10 (ARA)
O ataque destaca o perigo extremo enfrentado pelos cristãos afegãos. Desde 2021, os talibãs e outros grupos extremistas intensificaram os esforços para punir apóstatas. Muitos crentes se esconderam, mudando-se frequentemente para evitar a detecção. A comunidade internacional permaneceu em grande parte silenciosa, deixando essas comunidades vulneráveis a depender de redes clandestinas de apoio.
Como a igreja subterrânea sobrevive
O pastor Irfan discipula seu rebanho por meio de mensagens de voz enviadas por redes privadas virtuais. Videochamadas são muito arriscadas, pois podem ser rastreadas ou interceptadas. Mensagens de voz, no entanto, são relativamente seguras e podem ser facilmente deletadas. Ocasionalmente ele cruza a fronteira para visitá-los, mas o aumento dos combates entre Afeganistão e Paquistão tornou as viagens impossíveis desde o início de 2025.
A igreja consiste em cerca de 85 famílias — 60 hazaras e 25 convertidos zadran sunitas — que fugiram para o Paquistão em 2021, mas agora enfrentam deportação de volta ao Afeganistão. Muitos estão traumatizados, tendo perdido entes queridos e lares. No entanto, sua fé permanece forte. Irfan observa que os afegãos são atraídos pelo cristianismo porque ele oferece uma alternativa radical a um sistema religioso frequentemente marcado por coerção e medo.
O custo de seguir a Cristo
Um casal perdeu o culto de janeiro porque sua filha estava hospitalizada. Quando souberam do ataque, fugiram imediatamente e contataram Irfan, dizendo que não tinham mais nada além da fé. Sua história não é única. Em 16 de abril, Irfan ouviu falar de outro ataque matando 10 convertidos hazaras. As famílias estão escondidas e buscam apoio desesperadamente.
Esses crentes incorporam a experiência da igreja primitiva, conforme descrito em Atos: “E eles saíram do conselho, regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afronta pelo nome de Jesus” (Atos 5:41, ARA). Seu testemunho desafia os cristãos confortáveis em todo o mundo a lembrar daqueles que estão em cadeias (Hebreus 13:3).
O que podemos fazer?
A situação no Afeganistão parece desesperadora, mas as Escrituras nos chamam a agir. Orem pela igreja perseguida, pedindo a Deus que os fortaleça e proteja. Apoiem organizações que auxiliam refugiados e igrejas subterrâneas. Defendam políticas que ofereçam asilo a minorias religiosas.
Como diz o pastor Irfan: “Quando eles encontram o evangelho, encontram uma revelação radicalmente diferente: não um sistema de mérito ou desempenho religioso, mas a proclamação da salvação realizada por meio da obra consumada de Cristo.” Essa boa notícia vale a pena viver — e morrer por ela.
“Não temas as coisas que estás para sofrer. Eis que o diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” — Apocalipse 2:10 (ARA)
Reflita: como você pode apoiar os cristãos perseguidos?
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