Caríssimo leitor, nestas semanas acompanhamos com emoção o retorno dos astronautas da missão Artemis II. A imagem do oceano acolhendo a cápsula, a escotilha que se abre, os rostos dos quatro exploradores que voltam para casa sãos e salvos: tudo nos remete a gestos antigos, a quando Yuri Gagarin realizou o primeiro voo espacial. No entanto, esta missão nos presenteou com algo profundamente novo, algo que fala não apenas à ciência, mas também ao coração de cada crente.
O tempo de Deus nos tempos do homem
A missão Artemis II conheceu vários adiamentos, encontros inesperados com dificuldades técnicas, até encontrar sua realização em um período particularmente significativo. Seu desenrolar durante a Semana Santa e a oitava da Páscoa, enquanto o mundo vivia tensões geopolíticas profundas, nos convida a refletir: não existe coincidência para quem crê na Providência. Como escreve o apóstolo Paulo:
«Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus» (Romanos 8:28 NAA).Até os atrasos, até as dificuldades, até os momentos de espera encontram sentido no desígnio mais amplo de Deus.
A surpresa das cores lunares
O que impressionou muitos de nós são as imagens que os astronautas compartilharam. Da Terra, a Lua nos aparece como uma esfera cinza e monótona, iluminada por uma luz pálida que apaga todo matiz. Mas aproximando-se, como puderam fazer Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, nosso satélite revela uma beleza inesperada: extensões azuladas, traços marrons, reflexos avermelhados que lembram a ferrugem antiga.
A explicação científica nos diz que essas variações cromáticas dependem da diferente composição das rochas lunares - basalto escuro e anortosito claro - e dos impactos meteoríticos que moldaram a superfície ao longo de milênios. Cada tipo de rocha reflete a luz solar de modo diferente, criando aquela maravilhosa paleta que normalmente nos está oculta.
A fé que vê além das aparências
Este fenômeno nos oferece uma poderosa metáfora espiritual. Quantas vezes em nossa vida paramos nas aparências? Quantas vezes julgamos situações, pessoas ou até nós mesmos baseando-nos em uma visão superficial, como a que temos da Lua a partir da Terra? A missão Artemis II nos lembra que a realidade é sempre mais rica e complexa do que parece.
Nas Escrituras, encontramos numerosos exemplos dessa dinâmica. Pensemos no jovem Davi, que aos olhos do profeta Samuel parecia o menos apto a se tornar rei, enquanto Deus já via nele um coração fiel:
«O homem vê o exterior, porém o Senhor vê o coração» (1 Samuel 16:7 NAA).
A ressurreição: a verdade que transforma
O paralelismo mais profundo o encontramos no mistério pascal que celebramos justamente enquanto a Artemis II cumpria sua missão. Os apóstolos e as mulheres no sepulcro viam apenas uma lápide tumular, um lugar de morte e fim. Mas a ressurreição de Cristo revelou uma verdade completamente diferente: aquele túmulo vazio havia se tornado o lugar da vitória sobre a morte, o sinal das promessas de Deus que se cumprem além de toda expectativa humana.
Assim como a ciência e a tecnologia nos permitem ver as verdadeiras cores da Lua, a fé nos dá olhos para reconhecer a presença de Deus mesmo em situações que parecem cinzentas e sem esperança. Escreve são Paulo:
«Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas» (2 Coríntios 4:18 NAA).
O ministério do Papa León XIV em um tempo de transição
Neste período de transição para a Igreja Católica - após o falecimento do Papa Francisco em 21 de abril de 2025 e a eleição do Papa León XIV (Robert Francis Prevost) em maio de 2025 - esta reflexão adquire um significado especial. Assim como a Lua revela suas cores secretas quando nos aproximamos com novos instrumentos, a fé nos convida a nos aproximarmos dos mistérios de Deus com confiança, sabendo que Ele sempre tem mais beleza e verdade para nos revelar do que podemos perceber à primeira vista.
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